Palavras, frases, fotos, textos. Fragmentos colhidos, esculpidos e traduzidos em uma coisa nova. Pode ser poesia, pode ser crônica, pode ser conto. Pode ser real ou imaginado. Pode não ser nada. De qualquer forma, é só mais um fragmento...
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Da série: textos perdidos
O dia está fechado e frio. De quando em quando uma garoa fina cai do céu e o um vento gélido entra pelas frestas da porta da sacada. A sala está fria, escura e quieta. Tão quieta que resolvo colocar uma música para que possa me distrair do silencio; não adianta. Ele é tão grande que tenho a impressão que nem música o vence. Talvez o silêncio não esteja na sala, esteja na minha alma.
Ligo a TV, nada interessante, desligo a TV. Entro na internet, a internet não funciona direito, desligo o computador. Leio um pouco, não concentro. Ligo de novo, agora a internet voltou. Troco de música. Entro no MSN. Há tanta gente conectada, mas tão pouco a se falar! Converso com um amigo. Pouca conversa, ele está ocupado. Olho pra fora. São Paulo não parece tão grande da minha sacada. O andar é baixo, então a vista limita-se a alguns poucos prédios, um restaurante que fica bem em frente (e que de lá da pra ver a maior parte do meu apartamento e vice-versa, mas que hoje está fechado) e algumas arvores. Sim, tem árvores perto da minha casa, São Paulo não é uma completa selva de pedras.
Abro a porta da sacada, enfrento o frio e o vento de frente. Fecho os olhos e sinto meu rosto gelar mais e mais. Abro os olhos, esqueço meu rosto e começo a olhar pro nada, apenas esperando o tempo passar. Nem sei dizer o que vejo. Mas sem perceber começo a pensar. Lembranças, uma após a outra, aparentemente sem nenhuma ligação. A única coisa que as liga é o fato de estarem perdidas em algum lugar do passado. Lembro de algumas risadas, de algumas lágrimas, de alguns dos momentos que fizeram sentir o coração bater mais forte. Aumento paixões. Revivo despedidas. Me sinto incrivelmente só. Volto a sentir o frio, um arrepio percorre meu corpo. Entro, fecho a sacada, me enrolo em um cobertor. Meu corpo esquenta, meu coração não. Continuo com a mesma solidão.
Troco de música. Começo a conversar com uma pessoa no MSN. Começo uma conversa que já sei onde vai terminar. E o que é pior, sei que não vai terminar e essa conversa, e essa pessoa já fez tantos estragos na minha vida que não sei como ou porque continuo sentindo tudo o que sinto. Deixe-me explicar melhor, não foi ele quem fez; ele, na verdade, nunca fez nada...eu que imagino, leio nas entrelinhas, procuro, tento, vejo. Vejo coisas que não consigo em mais nenhum lugar. Mas não passa de entrelinhas e preciso de uma coisa de verdade pra aplacar essa solidão, não posso mais viver de sonhos.
Não posso mais viver de sonhos, mas não sei viver de outro jeito.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Uma amizade em fotos
O fato é que estávamos no Vinicius esse dia, fazendo a maior bagunça. Fizemos competição para ver quem colocava mais pipoca na boca,

Colocamos roupas de teatro e fizemos posses esdrúxulas (eu até pensei em por essa foto, mas essa não dá), fizemos guerra de travesseiro, ouvimos música, vimos fotos, conversamos, comemos pimenta, bagunçamos.
Enfim, passamos a tarde inteira nos divertindo.
É, mas a irmã desse meu amigo ficou trancada a tarde inteira dentro do quarto dela.
Mas a gente era muito sem noção. E, para encher o saco, invadimos o quarto dela. E tiramos uma foto surpresa:
Olha só, até chamamos para que ela tirasse mais fotos com a gente. Mas não sei porque – penso de verdade que ela devia odiar a gente – ela não quis.
Temos uma característica muito particular: somos um grupo de amigos. E por isso, um amigo trás outro amigo, aí um irmão, um primo, algum conhecido... e com isso, além de ser amiga do irmão dela, acabei me tornando também amiga dela - eu não sei dizer exatamente quando, ou como. Mas sei que não foi nesse ano. Acho que foi até depois que eu comecei a faculdade, mas continuávamos nos encontrando em festas, encontros, bagunças.
Essas fotos foram tiradas em 2001. Fazem, portanto, 10 anos. E aconteceram milhares de coisas nesse meio tempo.
O fato é que a irmã do meu amigo se tornou uma das minhas melhores amigas.
A Angélica – ou Gê – é uma pessoa incrível. Divertida, dedicada, companheira. Com um otimismo empolgante. Séria quando necessária. Disponível para os amigos sempre que eles precisam. E isso fez com que, pouco mais de cinco anos depois, já estávamos em uma mesma foto:

E olha só: em tão pouco tempo (a foto é de cinco anos, mas bem antes já éramos amigas) nos tornamos muito amigas. Tanto que nesse dia ela me viu em cima do balcão do Pele Vermelha - essa foto é da boate da minha formatura. E nem foi o dia que ela me viu de porre. E, no dia seguinte, estava ela no meu baile de formatura, compartilhando comigo um momento de muita alegria
Já tínhamos melhorado bastante nesse meio tempo, não?!)
Mas de lá pra cá, já fizemos muita coisa. Já tomamos porres juntas. Já discutimos romances. Já reclamamos da vida, já choramos, já sorrimos. Fomos a shows, festas e também a outros lugares nada agradáveis. Compartilhamos medos e angustias, sugerimos filmes, influenciamos nas decisões mais sérias e nas mais corriqueiras.
Até que um dia ela resolveu ir embora.
Sim, essa frase foi muito trágica e um tanto exagerada. Mas tem um porquê: eu e todos os amigos dela ficaram divididos com essa decisão. Porque se por um lado ficamos mega felizes por saber o quão importante era isso, o quão incrível seria essa experiência, tanto pessoal quanto profissionalmente, por outro nos sentimos um pouco abandonados. Aí, fizemos uma festa para dizer isso pra ela: que nós a amávamos tanto que até faríamos de conta que não nos importaríamos tanto com a ausência dela. E a menina que naquele dia ficou a tarde inteira trancada dentro do quarto ganhou o mundo.
Aí ela tirava fotos e a gente ficava só olhando.


E a gente tirando fotos por aqui...
Até que se passaram dois anos.
E olha só: não foram dois anos separados. Porque nesse meio tempo a distância foi diminuída pelo MSN, a saudade enfeitada com as conversas pela cam, a presença vivenciada através das páginas de relacionamento. Porque vimos os momentos felizes e divertidos das fotos, conversamos sobre os momentos difíceis. Dávamos – e recebíamos – colo por MSN [descobrimos que isso é possível, e até mesmo necessário...].
Assim, apesar de tanto tempo longe ficamos tão próximas quanto sempre. Contávamos a vida, os amores, os porres, as coisas que conheciamos, o que conquistávamos, o que nos irritava. Nossos medos e esperanças. Vivemos juntas, também.
Mas a gente sabe que isso não é exatamente como a presença. Porque falta o abraço de verdade, o toque. O sorriso sem mediação, com nitidez. Aquela coisa de pegar o telefone e marcar um encontro, nem que seja para uma daquelas bagunças sem noção, pra sentar e ficar conversando sobre tudo e sobre nada.
Eu mudei nesse meio tempo. Ela mudou, provavelmente muito mais do que todo mundo que ficou aqui. Mas tenho certeza que a gente não vai retomar a amizade, porque ela nunca foi interrompida: nós vamos nos conhecer novamente, continuar uma nova etapa na nossa amizade. E logo perceberemos que não mudamos tanto assim, principalmente porque nossa relação não mudou.
E com isso vamos ter mais do que outras fotos juntas: ter momentos, que é o que realmente importa. Por isso, já faz dias que eu penso: chega logo, dia 05 de Maio. Chega logo porque a saudade já chegou no limite e a falta parece que ficou mais pesada nos últimos dias do que em todo o tempo anterior.
Gê, te amo estamos todos esperando e loucos de vontade de aquietar um pouco essa saudade!!!!!
P.S.: Não briga comigo pela primeira foto, eu me sacaneie antes...rs
sexta-feira, 15 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
Pensamentos Aleatórios
Acontece que a cada esquina que você dobra você encontra um novo mundo. É tudo muito diferente! Há muito a se descobrir em cada quadra, há tanto a ver, a dizer, a fazer...às vezes queremos continuar lá por mais tempo, mas é preciso continuar a caminhada, mudar de quadra. Às vezes, dobrar a esquina.
Mas, como eu disse, somos turistas perdidos. Às vezes viramos tantas vezes de quadra, dobramos uma esquina jurando que nunca mais olharemos para trás... e damos voltas e voltas e voltas e caímos lá, de novo. Mas então olhamos com calma e vemos que aquele lugar já mudou, ou que nós já mudamos. Normalmente os dois.
E o melhor é que nesse caminho não estamos sozinhos. Algumas pessoas estão conosco o tempo todo; talvez não caminhando lado a lado, mas na rua oposta, à distância da visão; outras vão ficando pelo caminho, vão para ruas mais distantes, andam mais rápido ou mais devagar que a gente, resolvem dobrar esquinas contrárias. Encontramos outras pessoas que passam a andar conosco, que mudam nossa forma de andar, que nos fazem querer ficar mais tempo naquele caminho. Ou que nos fazem querer chegar logo a próxima esquina.
Mas o mais surpreendente é que entre essas pessoas que você deixou pra trás em uma esquina qualquer, algumas vão reaparecer lá na frente. É maravilhoso reencontrar pessoas quando a gente inicia uma quadra que vai ser difícil. É mais fácil fazer parte de uma quadra totalmente estranha, mas com antigos companheiros de caminhada. E quando reencontramos alguém em uma esquina qualquer da vida é incrível como nos sentimos mais fortes para continuar a caminhada junto de verdade, olhando no olho, abraçando e rindo e ouvindo a risada e sentindo o abraço. E, principalmente, descobrindo novos caminhos.
Por isso, cada vez que dou um passo em uma nova direção, cada vez que eu vejo que uma nova esquina está chegando, eu olho em volta e penso em tudo o que vivi naquele caminho. E então eu me despeço das pessoas com quem caminhei naquela quadra com um pensamento, quase um desejo: ainda vamos nos encontrar em alguma esquina.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Um dia desses, num desses encontros casuais
quinta-feira, 31 de março de 2011
Procura-se alguém que goste de Jazz
Não é necessário entender Jazz, apenas gostar. Não precisa ouvir uma musica e identificar estilo, autor, tendência ou o que. Eu não sei tanto e não exijo isso, de forma alguma. Não é necessário sequer ter um jazzeiro preferido, é preciso apenas que escute de vez em quando, que vá a um bar que toque e que não ache isso chato. Que possa achar divertido passar um tempo comigo ouvindo uma musica num café, que comentemos um livro, que troquemos comentários e sugestões. O jazz é indispensável porque tenho um gosto de velha e preciso sentir que sou normal e que isso é desejável. Pede-se também que goste de musicas de Chico Buarque pelo mesmo motivo.
Aliás, com Chico Buarque eu tenho uma relação que deve ser compreendida. Quando eu cantarolo “João e Maria” é porque estou triste, “Morena de Angola” é nos meus melhores dias, “Cotidiano” é sinal de tédio. As outras talvez não tenham nenhuma associação direta com meu humor, mas estas é preciso levar em conta. Sempre. A inteligência é mais que bem-vinda. Mas pede-se que não seja uma inteligência acadêmica, que deseja explicar tudo a todos em qualquer momento; mas uma inteligência sagaz que percebe e deixa transparecer isso pelo olhar.
Ah é preciso saber olhar, muito bem. Não se engane pensando que se nasce sabendo olhar: é preciso aprender. E procura-se aquele que aprendeu a olhar de um jeito que me faça sentir notada. Desejada também é aceitável, mas antes disso tem que ser notada, sentir que apesar de ter mulheres mais bonitas e perfeitas que eu, é pra mim que se escolha olhar. É preciso ter um brilho no olhar quando me vê. É preciso que, de vez em quando, eu perceba que este olhar está me procurando, quando eu estou longe. Mas não pra me controlar, portanto quando meus olhos cruzarem com este olhar que me busque troquemos sorrisos e voltemos às nossas ocupações. Voltemos, entretanto, com a certeza de ter alguém.
Também é preciso que saiba ler meus olhares e perceber quando estou pedindo colo ou querendo bater. E para isso é preciso perceber além dos meus sorrisos. É necessário que tenha um abraço protetor, daqueles que nos fazem esquecer todos os problemas, na verdade, todo o mundo lá fora. É preciso secar minhas lagrimas, sem insistir quando eu não quiser dizer nada. E entender que meus sorrisos e minhas risadas muitas vezes estão juntas - mas isso não significa que não esteja realmente sofrendo. Meus sorrisos às vezes são minha proteção, por isso é preciso ir além deles.
Pede-se que tenha um toque delicado, mas seguro. Segurança é necessária para que eu possa sentir-me como num porto amigo quando estiver no meio de uma tempestade. E delicadeza indispensável para que eu não me sinta como apenas um objeto. Esta segurança também é necessária para entender que eu gosto de pagar minhas contas, que eu sei trocar lâmpadas e mato baratas com um pouco de nojo, mas sem escândalos. E preciso ter alguém que entenda que estou com ele não para isso, mas porque gosto da companhia, me sinto bem com a presença. É necessária a segurança para entender isso: que não estamos juntos porque eu preciso, mas porque eu quero.
É preciso sorrir. Não precisa ser sempre ou pra tudo, mas ao menos de vez em quando é necessário. Pode ser só pra mim, mas se for ele tem que ser o sorriso mais intenso do mundo. Bom-humor é apenas desejável, mas mau-humor crônico, rabugice e cara feia desclassificam. Não é preciso ter dinheiro, me levar a lugares caros ou me dar presentes. Não é preciso colar em mim nem me contar todos os passos. É incentivado a ter uma vida independente da minha, com seus amigos e seus programas, aos quais eu só comparecerei em ocasiões especiais. Assim como terei meus amigos e meus programas: não seremos grudados, cada um terá seu próprio Orkut, não teremos a senha dos e-mails, não espionaremos os celulares. Construiremos uma relação que tenha confiança, embora algumas demonstrações de ciúme podem ocorrer, de ambas as partes. Demonstrações, não cenas deploráveis.
É preciso entender que eu gosto de poesia e de vez em quando é aconselhável que me escreva alguma em um pedaço de papel, ou me mande por e-mail. E que por mais que eu diga o contrário eu sou uma romântica inveterada que gosta de flor (que pode ser tirada de uma arvore e entregue na hora), de declarações de amor e de carinho, de surpresas. Outra necessidade é a paciência e a compreensão. É preciso compreender que eu tenho certo receio de relacionamentos então é preciso insistir, ir à fundo, porque as vezes fujo do que mais desejo. Por isso é preciso não desistir quando eu parecer ausente: na verdade é quando eu vou estar mais atenta, esperando. É preciso, por isso, ouvir meus medos absurdos e pode até discordar, achá-los idiotas ou sem sentido nenhum, mas em hipótese alguma pode-se dizer “não chore” ou “deixe isso pra lá”. Mas o silêncio, quando acompanhado de um abraço confortante daqueles que disse acima, pode ser recompensado. Fazer com que eu me sinta protegida, em qualquer situação, será recompensado.
Na verdade, tudo é negociável. Algumas coisas eu posso ensinar, outras eu posso aprender. Até desisto de algumas delas e elas não são únicas, são bem vindas diferentes características, gostos, vontades. Mas o Jazz... é indispensável gostar.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
De que é feita a vida?
De momentos, desejos, compromissos, dúvidas, poesia, música, sonhos, decepções. É feita de amigos e pessoas que não gostamos, de inimigos confessos e ocultos, de admiradores e admirados. É feita de mágoa. De alegria. De projetos concretizados, de projetos esquecidos pelo caminho, de projetos que temos que abandonar temporária ou definitivamente. É feita de silêncios – os solitários e os necessários. É feita de nostalgia e de esperança. De sabores, cheiros, toques, sensações. De bons livros. De péssimos livros, mas que devem ser lidos. De responsabilidades. De trabalho. De obrigações. De lágrimas e gargalhadas. De solidão. De amizade. De companheirismo. É feita de festas e lutos, de fotos e filmes, de lembranças, de medos, de sonhos. De lutas. De vitórias e derrotas. De espera. De tempo perdido. De lindos dias claros e tristes. De dias chuvosos cheios de raios, trovões e alegrias. De flores, borboletas, perfumes, delicadeza. De gritos, brigas, brutalidade. De brilho. De escuridão. De perdas e ganhos. De escolhas – escolhas nossas e escolhas dos outros que interferem na nossa vida. De confusões. De tédios.
A vida é feita de contradições.
A vida é feita de fragmentos.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Aprendi
Certa vez li que devíamos, todos os dias, pensar no que aprendemos de novo. Acho exagero, todos os dias. Mas, pensando nisso resolvi lembrar-me do que aprendi no ano que passou – ainda que ano com um certo atrasado, já que Janeiro já está acabando.
Engraçado como, ao sentar para escrever tudo o que aprendi neste ano que já se encerrou, tudo parece tão longe e dissipado. Não que eu não tenho aprendido nada; mas é que olhando para quem eu sou hoje eu vejo a concretização de dezenas de coisas que têm se delineado há tanto tempo, e outras que eu não reconheceria em nenhum olhar ao passado. Coisas que parece que surgiram em mim e me resolveram, serviram para cobrir as brechas que existem em mim. Coisas que ampliaram os meus limites.
Dando uma primeira olhada, rápida, tive a impressão que no ano que se encerrou aprendi apenas a esperar e esperar e a esperar. Mas foi mais que isso. Aprendi, sim, a esperar. Mas essa espera me ensinou também a fazer escolhas e tomar decisões. Essa espera me ensinou a, novamente, olhar dentro de mim e respeitar o que vejo, mesmo que não concorde.
E o que vi foi uma pessoa que amadureceu mas que ainda sofre e chora pelos mesmos motivos e que já há muito sabe que algumas dores são para sempre. Uma pessoa que aprendeu artimanhas para disfarçar a dor, e com isso aprendeu a cozinhar melhor do que em todos os anos anteriores.
Aprendi como é não estar rodeado por pessoas que já conhecem o seu trabalho e sabem do que você é capaz. Isso faz com que os caminhos sejam mais difíceis, mais tortuosos e repletos de nãos. Mas também aprendi que isso faz com que fique mais claro em nossa mente o que queremos.
Aprendi que não é fácil ir em busca dos sonhos, principalmente quando não se acredita muito neles. Mas que, quando a gente começa a acreditar é preciso bater o pé e até arrumar algumas confusões pra manter-se em busca dele. E que às vezes é preciso abrir mão de certas coisas e fazer escolhas difíceis, principalmente quando se está mais acostumado a viver o presente do que sonhar com o futuro.
Aprendi a sonhar com o futuro sem deixar de viver o presente.
Aprendi que fazer planos é um belo de um passatempo e muitas vezes não passa disso. Mas que é necessário fazê-lo, desde que se tenha em mente que não são círculos fechados e sem possibilidade de alteração. É preciso fazer projetos, e é preciso ser suficientemente corajoso para abrir mão deles e estar disposto a alterá-los.
Aprendi muito com a indecisão alheia, de como é preciso respeitar não só os próprios limites, mas também os dos outros. Aprendi que quando a gente menos espera as coisas surpreendem-nos. Para o bem e para o mal. E que, na verdade, é preciso estar distraído e esperando absolutamente nada. Porque quando eu esperava convites, vieram silêncios. Quando eu esperava silêncio, vieram palavras. Quando eu esperava um sim, veio um não. Quando eu esperava respostas, vieram perguntas. Quando eu tinha certeza, construíram-se dúvidas. E quando eu não esperava nada, vieram frases, explicações, propostas, elogios, diversão.
Aprendi que às vezes é preciso seguir os próprios conselhos. E nunca o ‘faça o que eu digo, não o que eu faço’ fez tanto sentido.
Aprendi que às vezes é preciso silenciar, mesmo quando queremos anunciar aos quatro ventos o que enche o nosso coração.
Aprendi que às vezes é preciso seguir o nosso coração mesmo quando a razão – e todo mundo que esta em volta – diz o contrário. Aprendi que isso não é fácil. Aprendi que isso dói, mas que a dor as vezes é melhor que a dúvida.
Aprendi a perdoar.
Aprendi a não esperar que os outros sejam o que a gente quer que eles sejam.
Aprendi que não se pode controlar o que se sente. E aprendi muito sobre mim, sobre meus sentimentos. Percebi que de vez em quando achamos que um sentimento está enterrado, mas então nos percebemos caindo nas mesmas armadilhas preparadas por nós mesmos.
Aprendi que é preciso se deixar pegar pelas armadilhas. Mas que não podemos nos aprisionar permanentemente nelas.
Aprendi que amizades são muito mais importantes do que qualquer coisa. E que algumas são eternas, mesmo com a distância, mesmo com a ausência, mesmo com as diferenças.
Aprendi que esquecer problemas não os resolve; mas os aumenta.
Aprendi a tomar banho de chuva como uma forma de voltar à infância perdida e nesse banho encontrar um silêncio confortante, quase um vazio.
Aprendi que ser responsável por outras pessoas não significa que você tem que deixar de se responsabilizar por si mesmo. E que é difícil, mas necessário, equilibrar as duas coisas.
Aprendi a viver com saudade. Com muita saudade. E a me deixar quieta, em silencio, sofrendo, sempre que necessário. E depois levantar. E continuar.
Aprendi que não sou mais criança, mas que ainda me comporto como tal. E que é preciso mudar e assumir minha vida, e não ficar tentando e esperando que os outros o façam por mim.
Aprendi que tenho o direito de ser feliz. E nos últimos dias me vejo me reacostumando a isso e ainda me soa um pouco estranho, dizer assim, que apesar de tudo eu sou feliz. Mas é em busca desta felicidade que darei meus próximos passos.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Santa Sofia de La Piedad.
Santa Sofia era, pela descrição de Gabo, feia. Comum, no mínimo. Ela poucas vezes é citada no livro, a maior parte delas acompanhada pela ressalva de que ela não existia por completo, a menos quando era necessário.
Às vezes tenho inveja desta descrição. Mais que isso, de ser assim.
Porque eu me dôo por inteira, em tudo. Não sei me envolver pela metade, amar sem ser por inteiro, viver sem paixão, fazer qualquer coisa simplesmente por fazer. Existo com intensidade. Adoro isso em mim, mesmo. Mas às vezes...cansa.
Porque quando eu estou muito feliz, acho maravilhoso ficar cantando gritando dentro do carro, e dançar feito louca sozinha no meu quarto, e fazer caretas, e conversar, e abraçar, e fazer outras coisas que, aos olhos de grande parte das pessoas, pareceria, na melhor das hipóteses, loucura.
Eu tenho vontade de ser Santa Sofia em momentos como eu estou vivendo agora. De espera. Quando não se tem o que fazer e até os sentimentos vão ficando escassos, e a intensidade vai se esvaindo. E eu tento, tenho momentos que coloco uma música alta, procuro nas minhas lembranças motivos pra ter intensidade, e tenho até alguns poucos instantes... mas a maior parte do tempo é um tédio, uma angustia, um nada. Eu sei, que daqui a pouco as coisas vão se ajeitar. Eu logo vou voltar àquela correria, que eu tanto amo. Mas até chegar lá... tenho que esperar. E aí que me vem à cabeça a Santa Sofia. Porque nesses momentos...me dá vontade de não existir, de pular essa fase e chegar logo onde as coisas realmente acontecem!
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Palavras
2010. Planos. Trabalho. Dissertação. Festa. Amigos. Surpresas. Tédio. Dissertação. Saudades. Paixonites. Ilusões. Presentes. Alta. Medos. Projetos feitos, projetos desfeitos, projetos refeitos. Dores. Raiva. Decepção. Amizades novas e amizades renovadas. Blog. Orientação. Dissertação, dissertação, dissertação. Frases de efeito. Copa. Beijos. Músicas. Poesia. Livros. Saudades. Dissertação. Cem anos de Solidão. Cozinhar. Conselhos. Melancolia. Tristeza. Alegria. Gargalhadas. Tatuagem. Márquez. Encontros. Desencontros. Casamentos. Festas. Porres. Vergonha. Decisão. Esperanças. Crises. Tombos. Neruda. Depósito. São Paulo. Perder-se. Museus. Bienal. Silêncio. Chuva. Solidão. Encontrar-se. Conversas. Coração disparado. Qualificação. Congresso. Apresentação. Discussões. Encontros. Envolvimento. Encantamento. Saudades. Dissertação. Francês. Longas conversas. Indiretas. Diretas. Timidez. Irmãos e primo. Diversão. Cozinhar. Cinema. Confusão. Emoções. Saudade. Promessas. Praia. Proposta. Campo Grande. Depósito. Nova Alvorada. Entrevista. Pergunta. Silêncio. Lágrimas. Saudade. Dor. Vinicius de Moraes. Desentendimento. Esquecer. Amigos. Recusa. Nova proposta. Teodoro Sampaio. Espera. Dúvidas. Nova recusa. Família incrível. Defesa. Elogios. Abraços. Porre. Comemoração. Luzes de Natal. Solicitação. Dúvida. Saudades diferentes. Amigos incríveis. Pergunta. Resposta. Surpresa. Encontro. Tédio. Sorrisos. Silêncios. Supermercado. Aeroporto. Notícias ruins. Surpreendentemente divertido. Fim.
2011. Esperança. Mudança. Começo.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Mafalda

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Presentes de Natal
Quero saúde, porque é necessário pro resto que vou pedir.
Quero um emprego. E entrar no doutorado. Na verdade quero um emprego para poder entrar no doutorado.
Quero uma paixão de tirar o fôlego. Com direito a borboletas no estomago, coração disparado, brilho no olho, mão gelada. E que seja correspondida, senão nem precisa trazer.
Caso a paixão não esteja disponível, também aceito paixonites, casos, aventuras, amores de estação e coisas do gênero.
Quero coragem.
Quero força. Quero paciência. Quero saber quando usar um ou outro.
Quero entender. As pessoas, principalmente.
Quero conseguir deixar no passado o que é do passado.
Quero reaprender a olhar pro futuro, sem deixar de viver o presente.
Quero muita música, poesia, bons livros.
Quero gargalhadas.
É...tá certo que não é uma lista pequena. Mas também não é lá uma lista tão grande assim! Então, Papai Noel, fazemos assim: vê a lista e me diz o que pode fazer. As outras coisas eu tento dar conta! =D


