Não costumo fazer orações. Não para um Deus. Talvez essa informação seja surpreendente para alguns de vocês que me conhecem, mas para a grande maioria trata-se de uma afirmação desnecessária, óbvia. Não rezo para um Deus porque já há algum tempo penso que, caso ele exista, prefiro que se ocupe de situações mais graves e urgentes do que as minhas. Não me sinto à vontade ocupando Deus com meus problemas, que bem ou mal posso solucionar [ou ao menos conviver com eles] enquanto há pessoas morrendo de fome, uma bela de uma confusão no Oriente Médio, guerras, atrocidades, monstruosidades. Também não rezo para agradecer porque não sou modesta a ponto de guiar minha vida, tomar minhas decisões, seguir os meus caminhos e, nas poucas vezes em que acerto, dizer que a responsabilidade é de outra pessoa. Além disso, não consigo conceber um Deus tão infantil e mimado a ponto de precisar sempre que as pessoas lhe elogiem e prestem graças. Pra mim isso parece coisa de gente insegura, que precisa que tudo seja elogiado, que precisa ser paparicado. Depois de criar tudo o que dizem que ele criou ser inseguro não combina muito.
Mas enfim, estou dizendo isso porque hoje me deu vontade de fazer uma oração. Mas, não sou tão confusa assim, não é para um Deus. Acho, realmente, que todos deveríamos ter as nossas orações. Que fazemos para nós mesmos. Pedidos, promessas e, principalmente, a fé. Acreditar que está em nós a possibilidade de transformar a nossa vida e a dos outros; acreditar que é possível que nós façamos a diferença. Ter fé em nós e nas outras pessoas. E a vontade de fazer uma oração é para fazer um pedido a mim mesma, com toda a minha fé. É bem verdade que crer em mim não é algo que costumo fazer; pelo contrário. Mas as orações não são justamente para isso, para que não percamos e, mais que isso, para que aumentemos a nossa fé?
Por isso, uma oração. Hoje, que eu encerrei uma etapa da minha vida, uma oração que me dê força e uma direção para os próximos passos. É essa a minha oração, hoje. É um pouco ousada, talvez até prepotente. Mas é uma oração que eu faço com toda a minha fé, com todas as minhas forças:
Que hoje, ao terminar o mestrado, eu tenha conquistado mais que um título; que tenha sido mais uma etapa em uma formação comprometida com a mudança. Que minhas palavras não sejam vazias, que o que eu escrevi não tenham sido apenas frases de efeito, mas que eu realmente as use em minha atuação. Que eu não desista e que eu não pense que o melhor é que as coisas permaneçam como estão. Que quando minhas forças estiverem acabando eu tenha onde e porque recarregá-las. Que eu tenha sempre muita alegria, mas que ela não me impeça de ver a dor do outro e que vendo eu não a ignore. Que eu não me cale frente a práticas ruins, que eu não deixe de escutar os problemas dos outros e tentar buscar soluções. Que eu saiba conviver com e respeitar as diferenças. Enfim, que o conhecimento que eu produzi não fique trancado em um armário, mas que eu consiga propagá-lo e materializá-lo em práticas; e que eu nunca pense que o meu conhecimento atual é suficiente. Pelo contrário, que eu continue sendo movida por indagações e que esta sensação de precisar de explicações e respostas permaneça e faça de mim uma profissional que está sempre querendo e tentando melhorar.
E que assim seja,
Amém.
Palavras, frases, fotos, textos. Fragmentos colhidos, esculpidos e traduzidos em uma coisa nova. Pode ser poesia, pode ser crônica, pode ser conto. Pode ser real ou imaginado. Pode não ser nada. De qualquer forma, é só mais um fragmento...
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Sobre antigos e novos capítulos.
Hoje eu fui à casa em que minha avó morava, antes de vir morar aqui em casa. E, engraçado, é uma casa cheia de lembranças e que acompanhou toda a minha vida. Bem, a história é mais ou menos assim: a casa é do meu tio (por parte de mãe), e minha avó Dorothy (materna) morava lá. Quando ela morreu, meu tio emprestou a casa pra meus avós João e Zeferina (paternos); isso foi entre 1994 e 1995. Em 1996 meu avô morreu, e minha avó continuou lá. Mas há alguns meses resolvemos que minha avó não poderia continuar sozinha e que seria melhor ela vir morar conosco (e vocês sabem que isso é um belo de um eufemismo). Mas, isso feito, meu tio vendeu a casa; e fui lá com ele para ver as últimas coisas que tinham que tirar, o que ia fazer e tal. Foi uma sensação muito estranha. Primeiro, porque a casa já tinha ares de abandono, porque com a mudança cresceu o mato e a sujeira se espalhou. E tinha aquele ar de passado, sabe?! Uma sensação de encerrar um capítulo da minha vida.
Algumas das minhas lembranças mais antigas são daquela casa. Algumas das mais queridas também. Como quando minha avó Dorothy fazia pastel aos domingos. E eu, meus irmãos e primos inventávamos refrigerantes, misturando dois ou mais sabores diferentes (e dávamos nomes, do tipo ‘Sprinta’, quando era Sprite com Fanta. E ainda tomávamos isso). Quando dormíamos lá, e acordávamos cedíssimo querendo jogar queimada. Éramos cinco: eu, o Igor, a Elise, o Danilo e o Bruno. Ainda hoje nós cinco somos unidos; acho que isso vem dessa época, quando ainda nos encontrávamos todos os finais de semana e nos divertíamos muito, simplesmente sendo crianças. Lembro de colher quebra-pedra pra minha avó tomar chimarrão. Dela tomando chimarrão com minha mãe, das duas conversando na varanda enquanto assistia televisão na sala.
A primeira vez que cozinhei foi lá – minha avó me ensinou a fazer arroz. E em um aniversário meu que comemorei lá eu ganhei dos meus tios uma máquina de costura de brinquedo que usei acho que por uns cinco anos, pra fazer roupas pras minhas Barbies (coitadas, minhas Barbies sofreram porque eu sempre fui uma péssima estilista!) Lembro que minha avó dizia que eu tinha um coração de ouro. E que a gente sempre andava de bicicleta no pátio da frente; eu era uma criança com uma imaginação muito fértil e uma vez eu e minha irmã éramos princesas indo pra um baile, e então eu passei numa possa de água com a bicicleta. Não foi uma gota em mim; mas quando minha avó se deu conta eu estava dentro de casa, penteando meu cabelo; ela me perguntou o que eu tava fazendo e eu respondi que o cavalo tinha me derrubado em uma possa de lama e eu tinha que me arrumar de novo pro baile. Lembro da risada dela nesse dia. E que ela usava dentadura e de vez em quando tirava metade pra fora e ficava fazendo careta. Era horrível.
Lá tinham 3 árvores: uma goiabeira, uma mangueira e um pé de fruta do conde. As duas primeiras ficavam no fundo, e a última na frente; minha avó dizia que a goiabeira era da minha irmã, a mangueira do meu irmão, e o pé de conde era meu. Eu odeio fruta do conde. Mas adorava a idéia da única árvore da frente ser minha, eu dizia que a frente toda era e então eu podia decidir quem entrava e quem não entrava. Eu subia na árvore e ficava lá um tempão, que provavelmente não passava de alguns minutos, mas como eu era criança pareciam horas e mais horas. Minha avó tinha um amigo, o Eduardo. Ele dizia que ia se casar com ela e a gente ia ter que chamá-lo de vô Eduardo. E ele parecia ser tão incrivelmente bravo e tinha uma chinela de couro que ameaçava usá-la pra bater na gente (principalmente no meu irmão). Nós cinco inventávamos planos mirabolantes pra impedir o casamento.
Aí, minha avó morreu. Lembro da primeira vez que fui lá depois, acho que no dia seguinte ou após alguns poucos dias, com minha irmã e minha mãe. Lembro da Paquita, a cadela dela, ficar correndo pela casa e chorando. E depois, quando começamos a arrumar a casa pra meus avós irem pra lá. Pintando, tirando a bagunça do quartinho, desfazendo o canil dos cachorros. Pendurando um balanço de pneu que tinha na casa antiga dos meus avós. E depois, quando mudaram pra lá, eu passava todas as tardes naquela casa. Foi um período difícil esse. Acostumar com a morte da minha avó, com a mudança de escola e de período (foi quando comecei a estudar de manhã), com alguns outros problemas. E, um tempo depois, com a adolescência: o começo dela, algumas das tardes repletas de sonhos e medos e dramas foram naquela casa. Foi lá que ganhei meu primeiro sutiã. Lembro bem do dia, embora seja demais detalhá-lo aqui. Também foi lá que meu avô morreu, ao lado do meu pai e da minha avó.
E por muito tempo eu ainda continuava a subir nas árvores e me esconder. Era uma sensação maravilhosa, subir o mais alto que eu conseguia e ficar olhando por cima das casas. Uma sensação de liberdade. Mas, a essa altura, só tinha a mangueira; minha avó resolveu que queria cortar as outras árvores. Há alguns poucos anos ela conseguiu que cortasse também a mangueira, mas aí eu já não subia em árvores – embora ainda assim tenha doído um pouco vê-la derrotada, espalhada por todo o quintal, reduzida a um monte de galhos e folhas.
Depois de um tempo parei de passar as tardes lá; mas foi lá que eu arrumei uma mesa com todos os livros e apostilas para estudar pro vestibular, o que fiz por uma ou duas semanas. Diversas vezes me refugiava lá, pra estudar, quando já estava na faculdade e até no mestrado – eu gostava do silêncio. E o engraçado é que se antes da vó Dorothy morrer aquela casa simbolizava diversão, ela passou a simbolizar solidão; o que se intensificou quando meu avô morreu. Uma solidão nem sempre triste, é verdade. Às vezes era puro isolamento. Às vezes nostalgia.
Hoje sei cozinhar mais do que arroz, não uso nenhuma máquina de costurar, bebo coisas mais estranhas do que refrigerantes misturados. Já faz um tempo que não subo em árvores, embora ainda tenha aquela mesma sensação quando estou em um lugar alto qualquer. Já sei que o ‘vô’ Eduardo é uma pessoa maravilhosa que se divertida brincando de ser bravo conosco. Compro meus próprios sutiãs, acostumei a estudar sem precisar de silêncio, aprendi que não se precisa de um lugar pra se cultivar a solidão. Passei pela adolescência e hoje acho que foi mais fácil do que está sendo se tornar adulta. Tenho outros sonhos, medos e ilusões. Perdi outras pessoas e percebi que não se acostuma com a morte, se aprende a viver com a ausência. E foi com aperto no coração fui lá ontem e me deparei com toda aquela poeira e abandono. Mas sabe, não foi uma sensação ruim. Quer dizer, é sempre difícil ver como as coisas mudam; mas nada do que vivi naquela casa vai ficar naquela casa. Está tudo aqui, dentro de mim. Tudo o que vivi lá fez de mim o que sou. E se a venda dessa casa é o fim de um capítulo...também é o início de outro. E sei que há ainda muitas lembranças a se construir, em outras casas, em outros lugares - mas sempre carregando essa nostalgia, essa saudade. Todos os capítulos da minha vida são repletos destes sentimentos.
Algumas das minhas lembranças mais antigas são daquela casa. Algumas das mais queridas também. Como quando minha avó Dorothy fazia pastel aos domingos. E eu, meus irmãos e primos inventávamos refrigerantes, misturando dois ou mais sabores diferentes (e dávamos nomes, do tipo ‘Sprinta’, quando era Sprite com Fanta. E ainda tomávamos isso). Quando dormíamos lá, e acordávamos cedíssimo querendo jogar queimada. Éramos cinco: eu, o Igor, a Elise, o Danilo e o Bruno. Ainda hoje nós cinco somos unidos; acho que isso vem dessa época, quando ainda nos encontrávamos todos os finais de semana e nos divertíamos muito, simplesmente sendo crianças. Lembro de colher quebra-pedra pra minha avó tomar chimarrão. Dela tomando chimarrão com minha mãe, das duas conversando na varanda enquanto assistia televisão na sala.
A primeira vez que cozinhei foi lá – minha avó me ensinou a fazer arroz. E em um aniversário meu que comemorei lá eu ganhei dos meus tios uma máquina de costura de brinquedo que usei acho que por uns cinco anos, pra fazer roupas pras minhas Barbies (coitadas, minhas Barbies sofreram porque eu sempre fui uma péssima estilista!) Lembro que minha avó dizia que eu tinha um coração de ouro. E que a gente sempre andava de bicicleta no pátio da frente; eu era uma criança com uma imaginação muito fértil e uma vez eu e minha irmã éramos princesas indo pra um baile, e então eu passei numa possa de água com a bicicleta. Não foi uma gota em mim; mas quando minha avó se deu conta eu estava dentro de casa, penteando meu cabelo; ela me perguntou o que eu tava fazendo e eu respondi que o cavalo tinha me derrubado em uma possa de lama e eu tinha que me arrumar de novo pro baile. Lembro da risada dela nesse dia. E que ela usava dentadura e de vez em quando tirava metade pra fora e ficava fazendo careta. Era horrível.
Lá tinham 3 árvores: uma goiabeira, uma mangueira e um pé de fruta do conde. As duas primeiras ficavam no fundo, e a última na frente; minha avó dizia que a goiabeira era da minha irmã, a mangueira do meu irmão, e o pé de conde era meu. Eu odeio fruta do conde. Mas adorava a idéia da única árvore da frente ser minha, eu dizia que a frente toda era e então eu podia decidir quem entrava e quem não entrava. Eu subia na árvore e ficava lá um tempão, que provavelmente não passava de alguns minutos, mas como eu era criança pareciam horas e mais horas. Minha avó tinha um amigo, o Eduardo. Ele dizia que ia se casar com ela e a gente ia ter que chamá-lo de vô Eduardo. E ele parecia ser tão incrivelmente bravo e tinha uma chinela de couro que ameaçava usá-la pra bater na gente (principalmente no meu irmão). Nós cinco inventávamos planos mirabolantes pra impedir o casamento.
Aí, minha avó morreu. Lembro da primeira vez que fui lá depois, acho que no dia seguinte ou após alguns poucos dias, com minha irmã e minha mãe. Lembro da Paquita, a cadela dela, ficar correndo pela casa e chorando. E depois, quando começamos a arrumar a casa pra meus avós irem pra lá. Pintando, tirando a bagunça do quartinho, desfazendo o canil dos cachorros. Pendurando um balanço de pneu que tinha na casa antiga dos meus avós. E depois, quando mudaram pra lá, eu passava todas as tardes naquela casa. Foi um período difícil esse. Acostumar com a morte da minha avó, com a mudança de escola e de período (foi quando comecei a estudar de manhã), com alguns outros problemas. E, um tempo depois, com a adolescência: o começo dela, algumas das tardes repletas de sonhos e medos e dramas foram naquela casa. Foi lá que ganhei meu primeiro sutiã. Lembro bem do dia, embora seja demais detalhá-lo aqui. Também foi lá que meu avô morreu, ao lado do meu pai e da minha avó.
E por muito tempo eu ainda continuava a subir nas árvores e me esconder. Era uma sensação maravilhosa, subir o mais alto que eu conseguia e ficar olhando por cima das casas. Uma sensação de liberdade. Mas, a essa altura, só tinha a mangueira; minha avó resolveu que queria cortar as outras árvores. Há alguns poucos anos ela conseguiu que cortasse também a mangueira, mas aí eu já não subia em árvores – embora ainda assim tenha doído um pouco vê-la derrotada, espalhada por todo o quintal, reduzida a um monte de galhos e folhas.
Depois de um tempo parei de passar as tardes lá; mas foi lá que eu arrumei uma mesa com todos os livros e apostilas para estudar pro vestibular, o que fiz por uma ou duas semanas. Diversas vezes me refugiava lá, pra estudar, quando já estava na faculdade e até no mestrado – eu gostava do silêncio. E o engraçado é que se antes da vó Dorothy morrer aquela casa simbolizava diversão, ela passou a simbolizar solidão; o que se intensificou quando meu avô morreu. Uma solidão nem sempre triste, é verdade. Às vezes era puro isolamento. Às vezes nostalgia.
Hoje sei cozinhar mais do que arroz, não uso nenhuma máquina de costurar, bebo coisas mais estranhas do que refrigerantes misturados. Já faz um tempo que não subo em árvores, embora ainda tenha aquela mesma sensação quando estou em um lugar alto qualquer. Já sei que o ‘vô’ Eduardo é uma pessoa maravilhosa que se divertida brincando de ser bravo conosco. Compro meus próprios sutiãs, acostumei a estudar sem precisar de silêncio, aprendi que não se precisa de um lugar pra se cultivar a solidão. Passei pela adolescência e hoje acho que foi mais fácil do que está sendo se tornar adulta. Tenho outros sonhos, medos e ilusões. Perdi outras pessoas e percebi que não se acostuma com a morte, se aprende a viver com a ausência. E foi com aperto no coração fui lá ontem e me deparei com toda aquela poeira e abandono. Mas sabe, não foi uma sensação ruim. Quer dizer, é sempre difícil ver como as coisas mudam; mas nada do que vivi naquela casa vai ficar naquela casa. Está tudo aqui, dentro de mim. Tudo o que vivi lá fez de mim o que sou. E se a venda dessa casa é o fim de um capítulo...também é o início de outro. E sei que há ainda muitas lembranças a se construir, em outras casas, em outros lugares - mas sempre carregando essa nostalgia, essa saudade. Todos os capítulos da minha vida são repletos destes sentimentos.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Minha mais nova paixão

Digam-me: tem como não se apaixonar por essa coisa linda? Essa é a Vitória, minha sobrinha emprestada, filha da Aline. E só por ela eu coloco na internet uma foto que eu estou toda descabelada.
Gente, vocês precisam ver. Até eu, que sou toda desajeitada, peguei no colo e ela dormiu tão quietinha e teve uma hora que ela até deu um sorriso lindo [e, caros amigos que estudaram desenvolvimento, foi sim um sorriso. Não foi um espasmo muscular, mesmo ela tendo só dois meses. Só bebês que não conhecemos tem espasmos musculares, os que a gente conhece sorriem de verdade!]. Na hora de tirar foto ela fez essa carinha de brava, mas ela gostou de mim sim, tá?!
Sabe o que é o melhor? A Aline mãe. Acho que no fundo ninguém no mundo imaginou a Aline mãe... mas ela é uma mãe incrível, e vai ser cada vez mais. E a tia aqui, mesmo sendo desligada, desajeitada e um pouco ausente demais, vai estar sempre junto dessa coisa fofa!
E Line, ela não é só um fragmento de gente...ela é tudo de mais lindo que existe. E ela vai ser muito feliz, só de ter uma mãezona como você ela já é muito sortuda!!!!
Amo demais vocês duas e qualquer coisa não precisa nem gritar: é só falar que eu to aqui pro que precisar!!!!!
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Só um texto...
Era uma vez um menino muito maluquinho.
[Peraí. Essa história já foi contada. Por uma pessoa com muito mais propriedade que eu. E, afinal de contas, a pessoa de quem eu quero falar nem é assim, maluquinho. Então deixa eu pensar em outra forma de começar...já sei!]
Algumas pessoas entram na nossa vida nós não sabemos exatamente quando, ou como. E por entrar na nossa vida eu não digo conhecer, porque tem pessoas que a gente conhece desde sempre e não estão exatamente na nossa vida, elas são como figurantes, qualquer coisa assim. As que entram são as que participam, realmente, da vida. Que sabem dos seus dilemas, das suas dificuldades, dos seus medos. Que compartilham as alegrias, as paixões.
[Tá... isso tá muito geral. Preciso de uma coisa mais específica. Este não é um texto qualquer, daqueles que qualquer pessoa pode se reconhecer nele. É sobre uma pessoa específica. Então, vamos tentar novamente.]
Cara, o Jeferson. Ele é uma pessoa incrível. Mas sabe aquela história de que aparência não é essência? Isso é exatamente ele. Porque na aparência ele é divertido, animado, talvez até um pouco inconseqüente... mas na essência não é [bem assim]. Quer dizer, ele é divertido, mas não é só isso. Ele une as pessoas que estão próximas a ele. Não organiza festas pela festa, mas porque a todo o momento ele tenta demonstrar que não se é sozinho e que é preciso celebrar, sempre. E ele faz convites ótimos, que são um evento à parte. Ele é animado, mas mais do que isso: ele sabe animar. Só com ele um dia cinza e praticamente perdido se transforma em uma das maiores loucuras que fiz na minha vida, um dia divertidíssimo! Inconseqüente ele não é, de forma alguma. Mas parece ser assim porque ele se entrega, de uma forma que quisera eu ser igual. Porque pra ele não existe meio termo: se for pra amar, é com todo o coração; se for pra ter raiva, é com todos os músculos; se for pra chorar...aí a gente pega um garrafa de Vodka porque também ninguém merece ficar chorando o tempo todo!
Mas mais do que isso, ele é também companheiro, compreensível, corre em busca dos sonhos, enfrenta os problemas de frente, te segura quando você tá caindo. Ser amiga dele é ser amiga de todos os amigos dele, e de quebra ganhar uma família e dois cachorros! Ser amiga dele é ter com quem contar, mesmo ele estando em um lugar que, desconfio eu, não existe de verdade. (E ele tá nesse lugar porque é também um excelente profissional, preocupado de verdade em fazer a diferença e em não ser mais um.) Ser amiga dele é ter alguém pra ligar e dizer: Fiz besteira. Me salva? Além disso, ele é um grande conselheiro amoroso. Com conselhos que variam entre “se joga!” e “cai fora que ele tá jogando com você”, ele participa ativamente da minha vida afetiva. Ele participa ativamente de todas as esferas da minha vida.
Por isso, e milhões de outras coisas, o Jef é mais do que um amigo. Todos os dias sinto falta dele vir aqui em casa, tomar café e comer bolo de banana. Aliás, outra coisa incrível: ele já teve que comer cada gororoba que eu fiz...e continua arriscando, sempre!
As coisas às vezes ficam mais difíceis do que a gente gostaria, amigo. Mas não desanime! Você é uma pessoa incrível, maravilhosa e que ainda tem muito pra ganhar, muitas felicidades pra viver, muitos desafios a vencer. O problema é que no caminho você também vai encontrar algumas pedras... mas pensa assim: se o Carlos Drummond achou uma pedra e fez um poema que se transformou em um dos marcos da poesia moderna brasileira, você pode pegar as suas e construir uma nova teoria psicológica!
Esse é só um texto. Eu nunca poderia com um texto explicar tudo o que você representa. Mas Jef, nunca, nunca esqueça uma coisa: pode passar milhares de pessoas na minha vida, acontecerem dezenas de coisas com nós dois... eu sempre vou ser your girl!!!!
Te amo, beijos,
Lívia
[Peraí. Essa história já foi contada. Por uma pessoa com muito mais propriedade que eu. E, afinal de contas, a pessoa de quem eu quero falar nem é assim, maluquinho. Então deixa eu pensar em outra forma de começar...já sei!]
Algumas pessoas entram na nossa vida nós não sabemos exatamente quando, ou como. E por entrar na nossa vida eu não digo conhecer, porque tem pessoas que a gente conhece desde sempre e não estão exatamente na nossa vida, elas são como figurantes, qualquer coisa assim. As que entram são as que participam, realmente, da vida. Que sabem dos seus dilemas, das suas dificuldades, dos seus medos. Que compartilham as alegrias, as paixões.
[Tá... isso tá muito geral. Preciso de uma coisa mais específica. Este não é um texto qualquer, daqueles que qualquer pessoa pode se reconhecer nele. É sobre uma pessoa específica. Então, vamos tentar novamente.]
Mas mais do que isso, ele é também companheiro, compreensível, corre em busca dos sonhos, enfrenta os problemas de frente, te segura quando você tá caindo. Ser amiga dele é ser amiga de todos os amigos dele, e de quebra ganhar uma família e dois cachorros! Ser amiga dele é ter com quem contar, mesmo ele estando em um lugar que, desconfio eu, não existe de verdade. (E ele tá nesse lugar porque é também um excelente profissional, preocupado de verdade em fazer a diferença e em não ser mais um.) Ser amiga dele é ter alguém pra ligar e dizer: Fiz besteira. Me salva? Além disso, ele é um grande conselheiro amoroso. Com conselhos que variam entre “se joga!” e “cai fora que ele tá jogando com você”, ele participa ativamente da minha vida afetiva. Ele participa ativamente de todas as esferas da minha vida.
Por isso, e milhões de outras coisas, o Jef é mais do que um amigo. Todos os dias sinto falta dele vir aqui em casa, tomar café e comer bolo de banana. Aliás, outra coisa incrível: ele já teve que comer cada gororoba que eu fiz...e continua arriscando, sempre!
As coisas às vezes ficam mais difíceis do que a gente gostaria, amigo. Mas não desanime! Você é uma pessoa incrível, maravilhosa e que ainda tem muito pra ganhar, muitas felicidades pra viver, muitos desafios a vencer. O problema é que no caminho você também vai encontrar algumas pedras... mas pensa assim: se o Carlos Drummond achou uma pedra e fez um poema que se transformou em um dos marcos da poesia moderna brasileira, você pode pegar as suas e construir uma nova teoria psicológica!
Esse é só um texto. Eu nunca poderia com um texto explicar tudo o que você representa. Mas Jef, nunca, nunca esqueça uma coisa: pode passar milhares de pessoas na minha vida, acontecerem dezenas de coisas com nós dois... eu sempre vou ser your girl!!!!
Te amo, beijos,
Lívia
sábado, 30 de outubro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Caio Fernando Abreu
Estou descobrindo este autor. E rapidinho ele já está entre os meus preferidos. Um dos trechos que mais me chamaram a atenção nos últimos tempos é dele, e segue abaixo...
"E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo".
Caio Fernando Abreu
[sim, estou um pouco depressivazinha ultimamente...]
"E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo".
Caio Fernando Abreu
[sim, estou um pouco depressivazinha ultimamente...]
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
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Eu não sou uma mulher decidida. Sabe aquelas que dizem “eu sei exatamente onde quero ir”? Não, essa não sou eu. Eu não sei nem onde eu quero estar, quem dirá pra onde eu quero ir.
Às vezes às pessoas olham pra mim e pensam que eu sou uma dessas mulheres decididas, seguras, fortes. Toda essa coisa de ‘psicóloga terminando o mestrado’ pode parecer intimidante, pode parecer que eu sei o que quero. Mas não deveria. Eu sou o contrário. Eu sou um poço de dúvidas e indecisões. De medos. De sentimentos confusos e pensamentos desconexos. Minha insegurança é meu maior guia. E por isso sigo a vida tateando, tentando, indo passo por passo, cada movimento milimetricamente planejado como uma tentativa meio absurda de tentar segurar as coisas que eu sei que não posso conter.
Hoje não vai ter textos longos. Nem reflexões. Nem nada. Só isso, uma afirmação: eu sou extremamente insegura.
Às vezes às pessoas olham pra mim e pensam que eu sou uma dessas mulheres decididas, seguras, fortes. Toda essa coisa de ‘psicóloga terminando o mestrado’ pode parecer intimidante, pode parecer que eu sei o que quero. Mas não deveria. Eu sou o contrário. Eu sou um poço de dúvidas e indecisões. De medos. De sentimentos confusos e pensamentos desconexos. Minha insegurança é meu maior guia. E por isso sigo a vida tateando, tentando, indo passo por passo, cada movimento milimetricamente planejado como uma tentativa meio absurda de tentar segurar as coisas que eu sei que não posso conter.
Hoje não vai ter textos longos. Nem reflexões. Nem nada. Só isso, uma afirmação: eu sou extremamente insegura.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Escolhas
Você é as escolhas que você faz.
Todo mundo já ouviu isso. Aliás, essa é uma das frases que de tanto ditas acabam se tornando quase que uma expressão vazia, repetida exaustivamente aos quatro ventos e quase nunca realmente levada a sério.
Mas o problema é que não se trata de uma simples força de expressão. Todos os dias tomamos dezenas de decisões que vão desde as mais simples àquelas que podem mudar a nossa vida. E o mais difícil de algumas decisões é que às vezes percebemos só muito depois o quanto elas eram importantes; e, o que é pior, às vezes uma escolha que a gente pensa que é a mais simples torna-se um escolha decisiva.
Escolhemos a roupa. A cor do cabelo. O corte. Não escolhemos o que sentir, mas escolhemos o que fazemos com o que sentimos. Escolhemos com que armas lutar pela felicidade. Escolhemos quando devemos lutar ou deixar passar, escolhemos falar ou calar, escolhemos. Às vezes as escolhas não são nossas, e temos que lidar com as conseqüências; às vezes não percebemos que estamos escolhendo uma coisa ou outra até que não tenha mais volta.
Mas não importa, é sempre preciso fazer escolhas. Algumas são tão fáceis que nem percebemos muito que se trata de uma escolha e a fazemos com uma tranqüilidade inimaginável. Outras parecem como um salto no escuro, sem saber muito bem pra onde, sem ter noção do tamanho da queda, sem ver se há redes de proteção. Sem saber se o resultado vai ser um tombo daqueles ou uma das coisas mais divertidas que você já fez na vida. Essas decisões, essas escolhas são as que realmente nos definem, e são as mais difíceis de serem tomadas.
Saltar ou não?
A melhor escolha, nesses casos, é ficar na ponta dos pés, abrir os braços, respirar fundo e se soltar. Torcer pra que dê certo, ou ao menos que no fim do salto tenha alguém com você, seja pra te socorrer, seja dividir pra dividir a alegria. Mas é difícil, muito. Lidar com o desconhecido, com a chance de se machucar. Mas quer saber? Quando você resolve fazer isso...
É uma sensação maravilhosa.
Todo mundo já ouviu isso. Aliás, essa é uma das frases que de tanto ditas acabam se tornando quase que uma expressão vazia, repetida exaustivamente aos quatro ventos e quase nunca realmente levada a sério.
Mas o problema é que não se trata de uma simples força de expressão. Todos os dias tomamos dezenas de decisões que vão desde as mais simples àquelas que podem mudar a nossa vida. E o mais difícil de algumas decisões é que às vezes percebemos só muito depois o quanto elas eram importantes; e, o que é pior, às vezes uma escolha que a gente pensa que é a mais simples torna-se um escolha decisiva.
Escolhemos a roupa. A cor do cabelo. O corte. Não escolhemos o que sentir, mas escolhemos o que fazemos com o que sentimos. Escolhemos com que armas lutar pela felicidade. Escolhemos quando devemos lutar ou deixar passar, escolhemos falar ou calar, escolhemos. Às vezes as escolhas não são nossas, e temos que lidar com as conseqüências; às vezes não percebemos que estamos escolhendo uma coisa ou outra até que não tenha mais volta.
Mas não importa, é sempre preciso fazer escolhas. Algumas são tão fáceis que nem percebemos muito que se trata de uma escolha e a fazemos com uma tranqüilidade inimaginável. Outras parecem como um salto no escuro, sem saber muito bem pra onde, sem ter noção do tamanho da queda, sem ver se há redes de proteção. Sem saber se o resultado vai ser um tombo daqueles ou uma das coisas mais divertidas que você já fez na vida. Essas decisões, essas escolhas são as que realmente nos definem, e são as mais difíceis de serem tomadas.
Saltar ou não?
A melhor escolha, nesses casos, é ficar na ponta dos pés, abrir os braços, respirar fundo e se soltar. Torcer pra que dê certo, ou ao menos que no fim do salto tenha alguém com você, seja pra te socorrer, seja dividir pra dividir a alegria. Mas é difícil, muito. Lidar com o desconhecido, com a chance de se machucar. Mas quer saber? Quando você resolve fazer isso...
É uma sensação maravilhosa.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Em homenagem aos mineiros resgatados no Chile.
Se cada dia cai
Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
Há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar a luz caída
com paciência.
Pablo Neruda
Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
Há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar a luz caída
com paciência.
Pablo Neruda
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
domingo, 26 de setembro de 2010
Saudades
Não é só das pessoas que sinto falta.
Sinto falta desse céu, de dias claros, de ipês enfeitando a cidade.

E nesses dias, sem muito o que fazer...tenho sido quase que só saudade.
Sinto falta desse céu, de dias claros, de ipês enfeitando a cidade.

E nesses dias, sem muito o que fazer...tenho sido quase que só saudade.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Amores imperfeitos são as flores da estação
Ele tem um sorriso lindo. Ele não sorri sempre, mas sabe exatamente quando deve fazê-lo. Normalmente é quando você chega, um sorriso que ilumina o dia e que faz você se sentir a pessoa mais especial do mundo. E a mais boba, porque vive procurando sentidos ocultos nesse e em outros sorrisos. E se pergunta, cada vez que está sozinha: esse sorriso é só meu?
Um dia você está triste, não sei bem porque. Tá tudo tão meio assim que nem vê-lo tem aquele efeito de sempre. Aí ele chega, vocês conversam um pouco. Mesmo sem você dizer nada ele percebe que você não está bem e te diz uma coisa totalmente inesperada e que quase salva o seu dia; no mínimo te faz sentir incrivelmente melhor. É uma coisa boba, um comentário meio solto depois de alguma coisa que você fala, algo do tipo “só você mesmo”. É o jeito que ele fala que te faz sentir dessa forma: meio que rindo, com aquele sorriso mais bonito, olhando nos seus olhos, esperando a sua reação. E a sua reação é de uma boba, claro.
Tem dias que parece que nada dá certo. Você não dormiu bem, acordou atrasada, o dia mal começou você já teve que enfrentar fila. Mau-humor na certa. Quando o vê, pensa logo de cara: era o que me faltava. A última coisa que eu precisava era me sentir uma boba... mas hoje não! Hoje eu to com tanto mau-humor que vai sobrar até pra ele. Mas ele olha pra você, pergunta o que foi que você tá com essa cara, aí antes que você responda ele te abraça. E aquele abraço faz você se sentir incrivelmente bem. É um misto de protegida, tranqüila, animada... é uma coisa quase inexplicável. Ok, ele ganhou de novo.
E não é só isso: são as palavras, o que ele fala no MSN, ele entrar e te puxar, ele mandar uma indireta. É ele tocar na sua mão e você ficar pensando se foi de propósito. É ele dizer que nunca se esqueceria de você. É a forma como você se sente uma boba quando tá falando com ele, morrendo de vontade de falar alguma coisa que você não sabe bem o que é. Medo de falar e estar errada.
Vocês passam dias sem se encontrar. Nem pessoalmente, nem na internet, nem nada. Sua vida vai correndo tranquilamente e sem sobressaltos. Ganha outros sorrisos, outros abraços, outras palavras que te anima. São todos incríveis e, honestamente, você não está pensando nele. Aí um dia vem uma lembrança meio solta, de tempos atrás, e você até pensa que tudo passou, que já não é nada, você se deu conta que precisa de uma coisa real e não de uma bobeira qualquer que te faz sentir uma adolescente. Aí ele entra no MSN; você até mantém o mesmo pensamento – nem mesmo o puxa pra uma conversa! Mas ele te puxa, assim, de cara. Pergunta uma coisa qualquer, diz uma coisa qualquer. E quando você vê já estão com as mesmas trocas de indiretas e você tá sentindo tudo aquilo que pensou que não mais sentia.
Não sei bem porque, mas você gosta dessa sensação. Ele te faz sentir perdida, confusa, mas muito bem. E você não entende, quem dirá pode explicar o porquê.
Hoje começou a primavera. E, definitivamente, amores imperfeitos são as flores da estação.
Um dia você está triste, não sei bem porque. Tá tudo tão meio assim que nem vê-lo tem aquele efeito de sempre. Aí ele chega, vocês conversam um pouco. Mesmo sem você dizer nada ele percebe que você não está bem e te diz uma coisa totalmente inesperada e que quase salva o seu dia; no mínimo te faz sentir incrivelmente melhor. É uma coisa boba, um comentário meio solto depois de alguma coisa que você fala, algo do tipo “só você mesmo”. É o jeito que ele fala que te faz sentir dessa forma: meio que rindo, com aquele sorriso mais bonito, olhando nos seus olhos, esperando a sua reação. E a sua reação é de uma boba, claro.
Tem dias que parece que nada dá certo. Você não dormiu bem, acordou atrasada, o dia mal começou você já teve que enfrentar fila. Mau-humor na certa. Quando o vê, pensa logo de cara: era o que me faltava. A última coisa que eu precisava era me sentir uma boba... mas hoje não! Hoje eu to com tanto mau-humor que vai sobrar até pra ele. Mas ele olha pra você, pergunta o que foi que você tá com essa cara, aí antes que você responda ele te abraça. E aquele abraço faz você se sentir incrivelmente bem. É um misto de protegida, tranqüila, animada... é uma coisa quase inexplicável. Ok, ele ganhou de novo.
E não é só isso: são as palavras, o que ele fala no MSN, ele entrar e te puxar, ele mandar uma indireta. É ele tocar na sua mão e você ficar pensando se foi de propósito. É ele dizer que nunca se esqueceria de você. É a forma como você se sente uma boba quando tá falando com ele, morrendo de vontade de falar alguma coisa que você não sabe bem o que é. Medo de falar e estar errada.
Vocês passam dias sem se encontrar. Nem pessoalmente, nem na internet, nem nada. Sua vida vai correndo tranquilamente e sem sobressaltos. Ganha outros sorrisos, outros abraços, outras palavras que te anima. São todos incríveis e, honestamente, você não está pensando nele. Aí um dia vem uma lembrança meio solta, de tempos atrás, e você até pensa que tudo passou, que já não é nada, você se deu conta que precisa de uma coisa real e não de uma bobeira qualquer que te faz sentir uma adolescente. Aí ele entra no MSN; você até mantém o mesmo pensamento – nem mesmo o puxa pra uma conversa! Mas ele te puxa, assim, de cara. Pergunta uma coisa qualquer, diz uma coisa qualquer. E quando você vê já estão com as mesmas trocas de indiretas e você tá sentindo tudo aquilo que pensou que não mais sentia.
Não sei bem porque, mas você gosta dessa sensação. Ele te faz sentir perdida, confusa, mas muito bem. E você não entende, quem dirá pode explicar o porquê.
Hoje começou a primavera. E, definitivamente, amores imperfeitos são as flores da estação.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Retrato em Branco e Preto
Amo Chico Buarque. E, de quando em quando, uma música passa dias e dias na minha cabeça. Essa é a da vez.
Como na maioria das músicas do Chico Buarque, impossivel não notar identificações com a música. Sou uma colecionadora de sonetos. E essa semana foi repleta deles.
Mas enfim, "Retrato em Branco e Preto" é linda e, como fica ainda mais dramática na voz da Elis Regina, vai o vídeo com ela cantando.
Se eu fizesse promessas, diria que este vídeo vem acompanhado com uma: a de postagens mais recentes. Como não faço, nos próximos dias vamos ver no que dá...
Lívia
Como na maioria das músicas do Chico Buarque, impossivel não notar identificações com a música. Sou uma colecionadora de sonetos. E essa semana foi repleta deles.
Mas enfim, "Retrato em Branco e Preto" é linda e, como fica ainda mais dramática na voz da Elis Regina, vai o vídeo com ela cantando.
Se eu fizesse promessas, diria que este vídeo vem acompanhado com uma: a de postagens mais recentes. Como não faço, nos próximos dias vamos ver no que dá...
Lívia
domingo, 22 de agosto de 2010
Começando a vida em São Paulo
São Paulo, há duas semanas. Estou estranhamente adaptada a essa cidade – provavelmente porque ainda estou mais como turista do que como uma moradora. Já acho perto distâncias como uma hora e meia de transporte e ter que optar entre andar 20 e poucos minutos ou pegar outro ônibus já me parece melhor. Minhas pernas parecem saber onde me levar e quando me perco tenho a impressão que estou fazendo uma forma de reconhecimento. Aprendi a pedir informações, a trocar o ônibus pelo metro e depois outro ônibus, a usar o Google Maps em qualquer movimento.
Como ainda não tenho a data da qualificação, ainda não procurei nada por aqui. Acho que vai ser uma coisa de uma hora pra outra, e não posso correr o risco de arrumar por aqui um compromisso que me dificulte ou impeça de voltar pra Campo Grande. E nem perder uma entrevista ou coisa assim porque marquei e depois tenho que desmarcar. Enfim, estou quase na mesma espera que estava em Campo Grande, fazendo força pra controlar a ansiedade e quase enlouquecida com isso.
Mas São Paulo não é só espera. Já conversei com algumas pessoas, que moram ou moraram aqui, e que têm me ajudado muito – a me convencer que foi a decisão certa, me incentivando, dizendo que tudo vai dar certo. Minha insegurança, sempre tão grande, tem cada vez mais dado espaço a certeza de que as coisas vão dar certo. Além disso, existe uma coisa nessa cidade que me fascina. Existem, aliás, muitas coisas que me fascinam. É um mundo de possibilidades, muitas das quais eu talvez nunca chegue a conhecer. São tantas possibilidades que cheguei a questionar se é o doutorado mesmo que eu queria. Talvez procurar um emprego e ficar nele, são tantas as áreas da psicologia! Dúvida que já passou, embora a necessidade de arrumar um emprego seja permanente – preciso me manter por aqui, ao menos enquanto não tenho a bolsa. Isso, claro, considerando que eu entre no doutorado (acho que esse ano não dá mais tempo, provavelmente terei que fazer a seleção só no ano que vem). Me fascina também as pessoas, tão diferentes e convivendo no mesmo espaço, dividindo os lugares, os transportes, os sonhos e os objetivos.
Aqui parece que o tempo passa de uma forma diferente e minha vida tão milimetricamente organizada, como era em Campo Grande, cede espaço a horários malucos (e ainda nem tenho uma rotina que com certeza deixa isso ainda mais intenso). As pessoas aqui parecem ser mais amistosas do que em Campo Grande, o que realmente me surpreendeu. E, como disse meu irmão, as coisas aqui são muito duras e difíceis para que se perca tempo com picuinhas.
Mas uma coisa muito forte por aqui é a saudade. Sinto uma saudade imensa de milhares de coisas! Saudades dos amigos, até daqueles que eu não via com freqüência, mas que tinha a possibilidade de no próximo final de semana marcar alguma coisa. Saudade de encontrar pessoas conhecidas em qualquer lugar; sair pra fazer compras, ou à uma festa, ou em qualquer lugar e, invariavelmente, ver pessoas conhecidas; e às vezes ter a sorte de achar um amigo e pôr a conversa em dia. Saudade do meu pai. Uma saudade tão grande da minha tia que aperta meu coração toda vez que eu falo com ela. Saudade do pôr-do-sol! Aqui de repente já é noite e sinto falta daquela profusão de cores que em Campo Grande nos mostra que o dia já está acabando. Talvez porque meu coração esteja cheio de saudades, mas a saudade que sinto da minha mãe parece ser ainda mais dura por aqui.
E é assim, dividida entre o fascínio das possibilidades e o coração apertado de saudades, que vou começando a minha vida em São Paulo.
Como ainda não tenho a data da qualificação, ainda não procurei nada por aqui. Acho que vai ser uma coisa de uma hora pra outra, e não posso correr o risco de arrumar por aqui um compromisso que me dificulte ou impeça de voltar pra Campo Grande. E nem perder uma entrevista ou coisa assim porque marquei e depois tenho que desmarcar. Enfim, estou quase na mesma espera que estava em Campo Grande, fazendo força pra controlar a ansiedade e quase enlouquecida com isso.
Mas São Paulo não é só espera. Já conversei com algumas pessoas, que moram ou moraram aqui, e que têm me ajudado muito – a me convencer que foi a decisão certa, me incentivando, dizendo que tudo vai dar certo. Minha insegurança, sempre tão grande, tem cada vez mais dado espaço a certeza de que as coisas vão dar certo. Além disso, existe uma coisa nessa cidade que me fascina. Existem, aliás, muitas coisas que me fascinam. É um mundo de possibilidades, muitas das quais eu talvez nunca chegue a conhecer. São tantas possibilidades que cheguei a questionar se é o doutorado mesmo que eu queria. Talvez procurar um emprego e ficar nele, são tantas as áreas da psicologia! Dúvida que já passou, embora a necessidade de arrumar um emprego seja permanente – preciso me manter por aqui, ao menos enquanto não tenho a bolsa. Isso, claro, considerando que eu entre no doutorado (acho que esse ano não dá mais tempo, provavelmente terei que fazer a seleção só no ano que vem). Me fascina também as pessoas, tão diferentes e convivendo no mesmo espaço, dividindo os lugares, os transportes, os sonhos e os objetivos.
Aqui parece que o tempo passa de uma forma diferente e minha vida tão milimetricamente organizada, como era em Campo Grande, cede espaço a horários malucos (e ainda nem tenho uma rotina que com certeza deixa isso ainda mais intenso). As pessoas aqui parecem ser mais amistosas do que em Campo Grande, o que realmente me surpreendeu. E, como disse meu irmão, as coisas aqui são muito duras e difíceis para que se perca tempo com picuinhas.
Mas uma coisa muito forte por aqui é a saudade. Sinto uma saudade imensa de milhares de coisas! Saudades dos amigos, até daqueles que eu não via com freqüência, mas que tinha a possibilidade de no próximo final de semana marcar alguma coisa. Saudade de encontrar pessoas conhecidas em qualquer lugar; sair pra fazer compras, ou à uma festa, ou em qualquer lugar e, invariavelmente, ver pessoas conhecidas; e às vezes ter a sorte de achar um amigo e pôr a conversa em dia. Saudade do meu pai. Uma saudade tão grande da minha tia que aperta meu coração toda vez que eu falo com ela. Saudade do pôr-do-sol! Aqui de repente já é noite e sinto falta daquela profusão de cores que em Campo Grande nos mostra que o dia já está acabando. Talvez porque meu coração esteja cheio de saudades, mas a saudade que sinto da minha mãe parece ser ainda mais dura por aqui.
E é assim, dividida entre o fascínio das possibilidades e o coração apertado de saudades, que vou começando a minha vida em São Paulo.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Desde o começo eu sabia que essa estória de blog não ia dar lá muito certo. Eu não tenho muita inspiração para manter isso com mais freqüência... mas de vez em quando surgem algumas coisas que têm que ser ditas e escrever às vezes é a melhor forma de fazê-lo.
Hoje eu to indo embora de Campo Grande. É uma mudança que vai acontecer meio aos poucos, porque volto em alguns dias para qualificar, e depois para defender o mestrado, e logo é final do ano e já volto... enfim, estou tentando convencer a mim mesma que este não é um passo gigantesco e que vai mudar completamente minha vida. Parece estar claro que não estou conseguindo.
Neste processo de mudança, apesar de todo mundo saber que eu já tinha decidido ir, eu não contei pra todos que eu estava indo agora. Algumas despedidas ficaram pras próximas vindas, porque eu não agüento tudo de uma vez. Outras despedidas são absurdamente difíceis, mas necessárias, como a da minha tia. Outras, ainda, ficaram meio como um “até logo”, porque a certeza de que nossas vidas é um constante encontro e desencontro faz com que tenhamos a sensação de que não é exatamente uma mudança.
Mas o que me fez escrever este post hoje, algumas horas antes de viajar, foi a despedida que acabei de fazer. Uma das mais difíceis – tanto que teve que ser feita em duas etapas.
Uns amigos vieram aquí em casa agora a noite, e já tínhamos nos despedido no final de semana. E foi com o coração na mão que eu via que o tempo passava, que estava chegando a hora deles irem embora... mas também, e principalmente, foi maravilhoso compartilhar esse momento com eles. Porque cada risada que a gente dava, cada foto da lembrança que eles me preparam que nós víamos, cada palavra me lembrava de uma coisa que a gente passou. Nos conhecemos já faz um tempo grande, mas nos últimos três anos ficamos cada vez mais próximos. E agora, cada problema é enfrentado junto, cada alegria compartilhada, cada sonho divido entre todos, cada decisão conta com a participação e a opinião dos outros.
Foram dezenas de fofocas, suquinhos gamy, fotos, momentos, abraços, lágrimas, palhaçadas, e milhares de pequenos momentos que preencheram minha vida. Sem eles tudo seria vazio. Sem eles eu não teria conseguido enfrentar os furacões e tempestades que de vez em quando a vida trás.
Eu tenho muitos amigos, essa é uma coisa que eu não posso negar. Morro de medo de parecer injusta com alguns, mas saibam que o que faz com que esta despedida tenha sido uma das mais difíceis é porque estivemos muito próximos nesses últimos tempos. Eles estavam no meu dia-a-dia, todo dia no MSN, quando não tinha noticia de um perguntava pro outro. Porque passava temporadas sem sair e de repente resolvíamos fazer uma janta, aí juntávamos meia dúzia de coisas, convidávamos o José e a festa tava feita. E isso era motivo para outras festas, outros encontros, outras conversas. Pelas discussões teóricas, pelos medos, por compartilhar os sentimentos que nada ia dar certo e por passar por isso. Por acordar sete horas da manhã no frio pra estudar junto. Por quase matar o outro por levantar duvidas que antes não existiam, mas que de repente passaram a ser existenciais. Enfim, por serem eles.
Jeferson, Priscila Teruya, Priscilla Bolfer, Luis e Julio. A amizade de vocês está entre as coisas mais especiais que eu tenho na vida. E se hoje eu tenho coragem de ir, é porque sei que tenho para onde voltar. Porque sei que ainda que cada um vá parar em um canto diferente do mundo, nós sempre vamos estar perto.
Hoje, enquanto via aquelas fotos, pensava nos milhares de momentos que a gente passou junto, e das confusões, e das loucuras, e de tantas outras coisas nos tornaram um grupo de amigos. E pensava que consigo ir porque levo dentro de mim todos e cada um destes momentos; que algumas coisas nunca ficam para trás, a gente carrega sempre dentro do coração. E que meus sonhos e meus projetos não existiram sem vocês.
Logo volto para mais momentos e, enquanto isso, a internet vai quebrando o galho e encurtando as distancias!
Amo vocês, e obrigada por tudo.
Hoje eu to indo embora de Campo Grande. É uma mudança que vai acontecer meio aos poucos, porque volto em alguns dias para qualificar, e depois para defender o mestrado, e logo é final do ano e já volto... enfim, estou tentando convencer a mim mesma que este não é um passo gigantesco e que vai mudar completamente minha vida. Parece estar claro que não estou conseguindo.
Neste processo de mudança, apesar de todo mundo saber que eu já tinha decidido ir, eu não contei pra todos que eu estava indo agora. Algumas despedidas ficaram pras próximas vindas, porque eu não agüento tudo de uma vez. Outras despedidas são absurdamente difíceis, mas necessárias, como a da minha tia. Outras, ainda, ficaram meio como um “até logo”, porque a certeza de que nossas vidas é um constante encontro e desencontro faz com que tenhamos a sensação de que não é exatamente uma mudança.
Mas o que me fez escrever este post hoje, algumas horas antes de viajar, foi a despedida que acabei de fazer. Uma das mais difíceis – tanto que teve que ser feita em duas etapas.
Uns amigos vieram aquí em casa agora a noite, e já tínhamos nos despedido no final de semana. E foi com o coração na mão que eu via que o tempo passava, que estava chegando a hora deles irem embora... mas também, e principalmente, foi maravilhoso compartilhar esse momento com eles. Porque cada risada que a gente dava, cada foto da lembrança que eles me preparam que nós víamos, cada palavra me lembrava de uma coisa que a gente passou. Nos conhecemos já faz um tempo grande, mas nos últimos três anos ficamos cada vez mais próximos. E agora, cada problema é enfrentado junto, cada alegria compartilhada, cada sonho divido entre todos, cada decisão conta com a participação e a opinião dos outros.
Foram dezenas de fofocas, suquinhos gamy, fotos, momentos, abraços, lágrimas, palhaçadas, e milhares de pequenos momentos que preencheram minha vida. Sem eles tudo seria vazio. Sem eles eu não teria conseguido enfrentar os furacões e tempestades que de vez em quando a vida trás.
Eu tenho muitos amigos, essa é uma coisa que eu não posso negar. Morro de medo de parecer injusta com alguns, mas saibam que o que faz com que esta despedida tenha sido uma das mais difíceis é porque estivemos muito próximos nesses últimos tempos. Eles estavam no meu dia-a-dia, todo dia no MSN, quando não tinha noticia de um perguntava pro outro. Porque passava temporadas sem sair e de repente resolvíamos fazer uma janta, aí juntávamos meia dúzia de coisas, convidávamos o José e a festa tava feita. E isso era motivo para outras festas, outros encontros, outras conversas. Pelas discussões teóricas, pelos medos, por compartilhar os sentimentos que nada ia dar certo e por passar por isso. Por acordar sete horas da manhã no frio pra estudar junto. Por quase matar o outro por levantar duvidas que antes não existiam, mas que de repente passaram a ser existenciais. Enfim, por serem eles.
Jeferson, Priscila Teruya, Priscilla Bolfer, Luis e Julio. A amizade de vocês está entre as coisas mais especiais que eu tenho na vida. E se hoje eu tenho coragem de ir, é porque sei que tenho para onde voltar. Porque sei que ainda que cada um vá parar em um canto diferente do mundo, nós sempre vamos estar perto.
Hoje, enquanto via aquelas fotos, pensava nos milhares de momentos que a gente passou junto, e das confusões, e das loucuras, e de tantas outras coisas nos tornaram um grupo de amigos. E pensava que consigo ir porque levo dentro de mim todos e cada um destes momentos; que algumas coisas nunca ficam para trás, a gente carrega sempre dentro do coração. E que meus sonhos e meus projetos não existiram sem vocês.
Logo volto para mais momentos e, enquanto isso, a internet vai quebrando o galho e encurtando as distancias!
Amo vocês, e obrigada por tudo.
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