Palavras, frases, fotos, textos. Fragmentos colhidos, esculpidos e traduzidos em uma coisa nova. Pode ser poesia, pode ser crônica, pode ser conto. Pode ser real ou imaginado. Pode não ser nada. De qualquer forma, é só mais um fragmento...
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Au revoir, fevereiro!
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Vestida de saudade
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Pedaços de coração
domingo, 15 de julho de 2012
Desejos
Com o que falo,
Com o que quero,
Com o que sinto.
Pelo que desejam,
Pelo que minto.
Pelo que esperam,
Pelo que ignoram.
Pelo que omito,
Pelo que desisto.
domingo, 27 de maio de 2012
Por que estamos aqui?
quinta-feira, 8 de março de 2012
Dia Internacional da Mulher
Como qualquer data comemorativa, no capitalismo essa data transformou-se em uma marca de consumo: dê presentes às mulheres de sua vida. Flores, principalmente. E li um texto belíssimo que diz que não queremos a flor e todos os símbolos que ela trás, não queremos ser reduzidas a isso, queremos ser mais queremos ser tratadas com respeito. Mas o que mais me chamou a atenção foram alguns comentários que diziam que era exagerada tal manifestação, inclusive um que dizia que a mulher receber menos pelo mesmo cargo era justo já que os homens seriam “naturalmente” mais centrados enquanto nós estamos sempre pensando em outras coisas – filhos, TPM, sei lá mais o que – e que, portanto, não poderemos ser tão eficientes quanto eles. Tive uma reação que foi do completo horror (como assim? Essa mulher tá falando que a biologia comprova que somos inferiores?) passando pela vergonha (e isso vindo de uma mulher, que resolve assumir sua suposta inferioridade, ou como ela afirma, sua incapacidade em determinados setores!) até que chegou ao entendimento: o de que ainda há muito a se fazer.
Eu não sou feminista. Concordo que há poucas coisas tão machistas como o feminismo; afinal, a mulher em alguns momentos teve que deixar de ser mulher para mostrar que não era inferior e no fim das contas só mostrava que nós, mulheres, podemos ser homens. Reconheço toda a importância desse movimento, penso que foi extremamente necessário e nos trouxe magníficos avanços; mas penso também que o momento agora é outro. É o de se saber diferente e justamente por isso ser respeitada. Eu posso vestir saia e ser uma profissional excelente. Eu posso usar maquiagem e não ser submissa. Eu posso ser dona de casa e não ser tratada como inferior, ou como alguém que não faz nada. Eu posso querer não ter filhos e não ser menos mulher por isso. Eu não sou superior aos homens; mas eles também não são a mim!
Tem gente que acha que são desnecessárias essas medidas, esses discursos. Já vi até dizerem que ‘conquistamos nosso espaço’. Discordo. Acho que é uma luta que a gente tem que travar todos os dias. Já ganhamos muita coisa, mas ainda vivemos em um mundo machista, patriarcal, opressor. E o que é pior, agora é cercado de uma opressão velada, contra a qual é muito mais difícil de lutar. É aquela disfarçada em piadinha, e ai de quem se ofende! Afinal, você não sabe nem brincar? São as coisas que são tão cotidianas que nem nos atentamos que é preconceito (como o famoso “filho da puta”; por que ofender a mãe, e não a pessoa? É quase como se disséssemos “tudo bem, foi sua mãe que não soube te educar e por isso você é assim”...). São as mulheres que tem que fazer jornada dupla, tripla, porque apesar de trabalharem fora as responsabilidades domésticas nem sempre são divididas, como se nos dissessem “tudo bem, você pode brincar de ser o que quiser lá fora, desde que você cumpra as suas obrigações de cuidar da casa, do marido e dos filhos quando chegar. E se seu filho arrumar confusão ou não se sair bem na escola, se sua filha engravidar, se seu marido ir com uma roupa mal-passada ao trabalho a culpa vai ser toda sua!”. Isso não é igualdade. Na minha família as coisas, felizmente, não eram assim. Minha mãe é o maior exemplo que eu tive na vida, que me ensinou muito sobre o que é ser mulher. Ensinou a cuidar, mas não ser submissa; a me doar, mas não levar desaforo pra casa; a ser intensa e passional, e que isso não significa perder a razão. Ela me ensinou sobretudo que não existem lugares pré-definidos para mim. Talvez por isso eu ache tão ofensivo cada vez que eu me confronto com situações em que essa suposta inferioridade é tomada como princípio.
Eu já tive medo por ser mulher, quando andava na rua e um homem disse que “assim que é bom, nem dá trabalho porque é só levantar o vestido”. Eu já atravessei a rua com medo de passar na frente de uma construção. Eu já quase morri de raiva ao levar uma cantada barata de um superior hierárquico e perceber que o melhor era me fazer de desentendida. Eu já fui chamada de vagabunda pelas costas. Eu já tive que ouvir que deveria estudar menos porque ‘homem não gosta de mulher inteligente’ e que eu deveria realmente me preocupar senão eu ‘ia ficar pra tia’. Eu já ouvi que devia beber menos porque mulher não devia fazer isso. Eu já tive vergonha do meu corpo. Eu já me senti gorda e feia (e às vezes ainda sinto!) por não estar dentro de um padrão irreal de beleza. Eu já ouvi que tinha que ‘me cuidar mais’ por não ser magra. Eu me indigno com piadinhas do tipo ‘todos os outros dias são dos homens’, principalmente porque sei que elas têm um fundo de razão em um mundo em que ser mulher é motivo de preconceito. E, apesar dessas coisas, o que mais me machuca é saber que isso é ínfimo perto do que milhares de mulheres passam todos os dias, perto das situações de violência, dos crimes, das humilhações, das exigências irreais que só servem para sustentar o machismo.
Eu não acho que devemos apenas comemorar o dia da mulher, mas lembrar de continuar a luta pelo direito à diferença. Eu sou uma mulher que gosta de usar vestidos e maquiagem, que gosta de cozinhar, que na maior parte das vezes está com a unha feita e o cabelo arrumado, mas que não quer de forma alguma ser resumida a isso. Eu sou uma mulher que sonha, que tenta lutar, que é sensível (e até um pouco chorona) e tem lá seus momentos de carência, e que não quer ter vergonha de ser assim. Eu quero poder andar sozinha na rua sem receio de ser tratada como um objeto, ou de ser vítima de violência. Eu gosto de ser cuidada não porque não tenho capacidade de seguir sozinha, mas porque é mais fácil quando a gente tem com quem dividir os problemas e também as alegrias, as conquistas. Eu gosto de ser elogiada, mas ser tratada como um objeto sexual não é elogio. Eu não quero ser um homem. Eu gosto de ser mulher. Mas o que eu realmente quero é ser uma mulher que não tenha medo ou vergonha, que não se sinta inferior por ser o que é.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Um ano
- Pensei que nunca te esqueceria. Mas percebi que pensava, mas não sentia.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Parabéns, Priscila!
Nunca concordei com essa frase. Amigos não são escolhas, são construções. Os grandes amigos, aqueles que realmente se tornam nossos irmãos, não nos foram dados de graça pela vida. Essas amizades são formadas ao longo de idas e vindas, encontros e desencontros, descaminhos. Horas e horas estudando junto, desesperando juntos, não fazendo nada juntos. Elas são resultados de lágrimas e sorrisos compartilhados, de raiva suportada, de tédio tolerado em conjunto. De loucuras e momentos centrados. De ombros amigos e também de palavras duras que devem ser ouvidas. De chacoalhões.
Os melhores amigos estão conosco nos piores momentos. Nos sustentam quando o mundo parece desabar. Nos estendem a mão quando estamos caindo. Mas também estão nos melhores momentos, querendo saber das novidades, se divertem com nossas (novas) paixões, se alegram com nossas conquistas. Acho que isso é mais raro, porque não é todo mundo que consegue lidar com a felicidade do outro, ainda que na nossa vida esteja tudo uma confusão.
Nós sempre nos lembramos dos grandes momentos. Como num dia de surto que a gente chora desesperada e o amigo tá lá, nos olhando com um olhar de compreensão. Ou de um banho de piscina noturno, um porre, uma festa, uma dor que doía muito e que ele consola. Mas uma amizade verdadeira é feita dos milhares de pequenos momentos que vão se colocando entre esses grandes acontecimentos e que o possibilitam. É aquela pessoa que tá com você todos os dias, mesmo a distancia e mesmo que no fundo vocês se falem pouquíssimas vezes.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Caos
A verdade é que ele entrou na minha vida como um vendaval e bagunçou todas as minhas certezas, jogou longe minhas convicções, desmanchou minhas ilusões, rompeu algumas das estruturas que me sustentavam, quebrou dezenas de racionalizações.
E aí ele se foi. E eu fiquei sentada, olhando praquele caos todo, tentando imaginar por onde me reconstruir. Mas, e esse foi o maior problema, cada peça que tentava por no lugar eu percebia que estava melhor agora do que antes. E que eu era mais eu no meio daquela bagunça que ele deixou em mim.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Programação da semana
Prometer as mesmas promessas, até aquelas que já se sabe que não há tempo para cumprir.
Distribuir indiretas que serão displicentemente ignoradas.
Fantasiar que simples conversas são paqueras veladas.
Sonhar antes de dormir, depois dormir e ter sonhos confusos, acordar meio perdida sem saber o que veio antes e o que veio depois do sono.
Desejar e esboçar mudanças. Temê-las secretamente.
Planejar cuidadosamente cada segundo, só para ver a semana se esvaindo e todo o planejamento ir junto com ela.
Esperar novos ventos, novos olhares, novos encontros. Desejar ser surpreendida.
Enfim, aguardar ansiosamente o próximo final de semana, cheia de esperanças e com a certeza de que é nele que vão ocorrer todas as mudanças que são necessárias, só pra ver que o final de semana acaba muito mais rapidamente do que as esperanças.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Tem gente que é poesia...
Tem uma frase do Manoel de Barros que diz que "Tem gente que nasce poesia...". É bem verdade. Tem gente que é poesia: leve, intensa, toca a gente na alma. E que cada encontro é como uma nova leitura, a gente descobre uma coisa nova, que também toca, também emociona.
Outras pessoas são como uma crônica. Tão cotidianas, tão perto da gente e que encantam justamente porque vêem as mesmas coisas que nós, mas com um olhar totalmente diferente. Ora é um olhar mais engraçado, ora reflexivo, mas sempre emocionante. Fazem com que a gente encare o cotidiano de uma forma muito mais fácil.
Há também aquelas pessoas que são como livros inteiros. É cheio de vais e vens, encontros e desencontros, e no fim você acaba sabendo de tudo da vida dela. E o que mais agrada é que você sente também como se fosse um pouco da sua vida: cada história, cada momento, cada capítulo você se reconhece de alguma forma.
O único problema é que a vida é exatamente como a literatura: para encontrar boas poesias, boas crônicas e bons livros, temos que encarar muita literatura de péssima qualidade.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Intensidade
Não foi como um elogio que ela recebeu isso. Era a intenção dele, ela sabia, já tinha ouvido isso outras vezes e de pessoas menos interessantes, menos importantes que ele. Ela sabia também que os seus sorrisos, sua presença intempestiva, sua gargalhada solta, suas caretas constantes e tudo o que os outros sintetizavam como ‘intensidade’ era o que mais atraia tanto os amigos como os amores. Mas é que cada vez que ela ouvia isso soava mais como uma bofetada. Porque só ela sabia o quanto, dali de dentro, tudo isso soava falso.
E tudo o que ela queria era ser mais uma. Normal, simplesmente.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Escrevo
Escrevo porque sinto demais. Sinto tanta coisa, tanta bagunça, me perco dentro de mim e minha mania de teorizar exige que eu explique. Que tente, ao menos. Transformo essa bagunça em algumas palavras, em frases, e aí as frases ganham uma vida que não é minha. E no fim percebo uma estória que parece a minha, mas já não é. Uma frase, perdida no meio de todas as outras, aquela sou eu, é o que me define, o que me explica. Às vezes ela se encaixa perfeitamente entre as outras e nem me lembro exatamente quem é ela. Outras vezes tenho a impressão que ela ficou perdida, confusa, deslocada, mas disfarçou bem e só eu percebo que ela ta lá, destoando, me entregando.
Escrevo porque uma frase fica pulsando aqui dentro. E então, se eu deixo ela passar, é como se eu me perdesse um pouco pelo caminho. Escrevo porque não ajo. Porque na hora de fazer, eu teorizo, explico, crio. E resolvo, criando uma estória que não é minha. Ou é?