Palavras, frases, fotos, textos. Fragmentos colhidos, esculpidos e traduzidos em uma coisa nova. Pode ser poesia, pode ser crônica, pode ser conto. Pode ser real ou imaginado. Pode não ser nada. De qualquer forma, é só mais um fragmento...
domingo, 17 de julho de 2011
Eros e Psique
Eros e Psique
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Bom, chegou julho. E o fato é que posso, sim, dizer que esse ano está sendo muito bom.
Esse ano está passando incrivelmente rápido. Mas posso dizer, com toda a certeza: é muito mais do que so far so good. Está sendo um ano realmente bom.
terça-feira, 28 de junho de 2011
Notas sobre o Kit Gay
O vídeo começa dizendo que esse kit irá tratar como normal coisas absurdas. O que é absurdo? Para mim, absurdo é a homofobia. É você julgar uma pessoa, ou pior, agredir uma pessoa, simplesmente porque ela é diferente de você nas escolhas afetivas. É você reduzir uma pessoa a um único aspecto de sua vida privada – repito, de sua vida privada, coisa que a gente não tem absolutamente nada a ver.
Ele continua dizendo que a criança que tá em idade escolar não tem o caráter pronto e nem a consciência definida. Bom, apesar de usar termos de uma forma errônea, eu entendo o que o autor quis dizer e concordo com essa afirmação. E por isso defendo o Kit Contra a Homofobia: educar as crianças a respeitar a diferença é a melhor forma de criar sujeitos íntegros, conscientes, humanos. Afinal, não é essa a função da escola? Educar? Humanizar, acima de tudo?
Bom, não vou continuar discutindo o vídeo. Ele continua girando em torno desse argumento absurdo: “o governo quer que nossos filhos sejam homossexuais”. Eu tenho uma tendência acreditar que se trata de um desconhecimento e, portanto, indico esse vídeo sobre o Kit para que as pessoas realmente tenham conhecimento do que se trata. O vídeo não está muito bom, nem tão arrumadinho ou bonitinho como o outro, mas ainda assim sugiro que vocês o vejam com calma. E principalmente, pensem: o que há de anormal em ser homossexual? Por que isso deve ser tratado como anormal? E não me venham dizer que não é natural, porque há milhares de anos que não há mais nada de natural no que diz respeito a seres humanos. Vocês fazem sexo só quando estão no cio? Isso é natural. Qualquer coisa que vá além disso é humano, construído, formado. E deve ser respeitado. É por que está na bíblia? Mas Deus não disse que “todo o homem que se eleva será rebaixado, mas quem se rebaixa será elevado”(Lucas 18:14), e que portanto enquanto vocês batem no peito para dizer que estão certos estão pecando muito mais do que aqueles que vocês julgam serem os pecadores? Aliás, sugiro que leiam mais a bíblia, porque nela também está escrito que “Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados” (Lucas 6:38). Dizer que é anormal ou errado é preconceito. É contra isso que o Kit contra a Homofobia foi desenvolvido.
domingo, 19 de junho de 2011
Domingo
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Eu queria que você soubesse...
E isso, de pensar em você, é uma coisa tão óbvia para mim, mas que quando tento explicar me soa tão confuso. Porque eu não penso em você querendo voltar àquela época. E nem com esperanças, ou esperas. Não é um sentimento ruim. Também não é saudade. Talvez nostalgia, mas nem é tão forte assim. É quase como se não fosse nada, mas se não é nada porque pensar, fico me perguntando. De repente me lembro de uma frase do Caio F. e me dá vontade de adaptá-la a nós: “E eu estava só começando a entrar num estado de amor por você. Mas você não permitiu, não te permitiu, não nos permitiu”. Mas não digo isso com ressentimento, ou mágoa. É só uma constatação, uma sensação de que podia ter sido, você me entende? A gente podia ter sido alguma coisa.
Sabe, não me lembro de você por solidão. Meu coração está novamente ocupado e, juro que não é uma forma de fazer birra, mas estou muito mais feliz do que naqueles dias. Mas pensar nisso me faz ter vontade de conversar com você. De te contar porque e como estou feliz, de todos os pequenos momentos dos últimos dias, dos últimos meses. Tenho vontade de contar alguns dos encontros e também dos desencontros que tive nesse período – insisto que não é para esfregar minha felicidade ou fazer algum tipo de jogo do tipo eu estou melhor sem você. Juro que não. Até porque tenho vontade de terminar de contar e logo ouvir o que você tem a me dizer, como que passou esses últimos meses, se você resolveu aqueles problemas, se tudo se ajeitou. Porque comigo, tudo se ajeitou – mais que isso, está tudo diferente do que eu tinha imaginado, mas é um daqueles diferentes bons, eu fico pensando que eu estou muito mais feliz do que poderia estar se tudo tivesse saído como eu tinha planejado. E eu queria muito, de verdade, saber que tudo se ajeitou com você também.
Acho que seria como reencontrar um amigo. Desses que a gente perde o contato, mas não o carinho. Talvez seja carinho o que eu sinta. Não, não é isso também. É quase como uma paz. Quase como se depois de todo aquele turbilhão de emoções suscitadas – vergonha, raiva, decepção, surpresa e tantas, tantas outras! – depois de tudo aquilo eu hoje sinta só uma paz. E me lembro de tudo isso como se fosse tão distante, como se fosse um filme do qual me lembro de alguns pedaços, algumas cenas, mas nem sei dizer que filme é, ou quando foi que assisti. E agora, falando nisso, me dá mais curiosidade do que vontade de te ver. Curiosidade de saber como eu me sentiria, se isso ficaria mais claro para mim. E como seria para você.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
À Aline Moura
Não sei dizer o que faz com que uma pessoa deixe marcas dessa forma. Algumas ficam por muito tempo e talvez seja o hábito. Outras conseguem deixar marcas muito rapidamente, muito intensamente, mesmo que por pouco tempo de convivência. Seja por um motivo ou por outro, a verdade é que passamos a não conseguir imaginar o mundo sem elas – ainda que elas estejam meio de longe, com conversas e promessas de encontro, mas que na verdade são mais uma forma de dizer “não some que eu preciso saber que você está bem, e que você está próxima”.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Da série: textos perdidos
O dia está fechado e frio. De quando em quando uma garoa fina cai do céu e o um vento gélido entra pelas frestas da porta da sacada. A sala está fria, escura e quieta. Tão quieta que resolvo colocar uma música para que possa me distrair do silencio; não adianta. Ele é tão grande que tenho a impressão que nem música o vence. Talvez o silêncio não esteja na sala, esteja na minha alma.
Ligo a TV, nada interessante, desligo a TV. Entro na internet, a internet não funciona direito, desligo o computador. Leio um pouco, não concentro. Ligo de novo, agora a internet voltou. Troco de música. Entro no MSN. Há tanta gente conectada, mas tão pouco a se falar! Converso com um amigo. Pouca conversa, ele está ocupado. Olho pra fora. São Paulo não parece tão grande da minha sacada. O andar é baixo, então a vista limita-se a alguns poucos prédios, um restaurante que fica bem em frente (e que de lá da pra ver a maior parte do meu apartamento e vice-versa, mas que hoje está fechado) e algumas arvores. Sim, tem árvores perto da minha casa, São Paulo não é uma completa selva de pedras.
Abro a porta da sacada, enfrento o frio e o vento de frente. Fecho os olhos e sinto meu rosto gelar mais e mais. Abro os olhos, esqueço meu rosto e começo a olhar pro nada, apenas esperando o tempo passar. Nem sei dizer o que vejo. Mas sem perceber começo a pensar. Lembranças, uma após a outra, aparentemente sem nenhuma ligação. A única coisa que as liga é o fato de estarem perdidas em algum lugar do passado. Lembro de algumas risadas, de algumas lágrimas, de alguns dos momentos que fizeram sentir o coração bater mais forte. Aumento paixões. Revivo despedidas. Me sinto incrivelmente só. Volto a sentir o frio, um arrepio percorre meu corpo. Entro, fecho a sacada, me enrolo em um cobertor. Meu corpo esquenta, meu coração não. Continuo com a mesma solidão.
Troco de música. Começo a conversar com uma pessoa no MSN. Começo uma conversa que já sei onde vai terminar. E o que é pior, sei que não vai terminar e essa conversa, e essa pessoa já fez tantos estragos na minha vida que não sei como ou porque continuo sentindo tudo o que sinto. Deixe-me explicar melhor, não foi ele quem fez; ele, na verdade, nunca fez nada...eu que imagino, leio nas entrelinhas, procuro, tento, vejo. Vejo coisas que não consigo em mais nenhum lugar. Mas não passa de entrelinhas e preciso de uma coisa de verdade pra aplacar essa solidão, não posso mais viver de sonhos.
Não posso mais viver de sonhos, mas não sei viver de outro jeito.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Uma amizade em fotos
O fato é que estávamos no Vinicius esse dia, fazendo a maior bagunça. Fizemos competição para ver quem colocava mais pipoca na boca,

Colocamos roupas de teatro e fizemos posses esdrúxulas (eu até pensei em por essa foto, mas essa não dá), fizemos guerra de travesseiro, ouvimos música, vimos fotos, conversamos, comemos pimenta, bagunçamos.
Enfim, passamos a tarde inteira nos divertindo.
É, mas a irmã desse meu amigo ficou trancada a tarde inteira dentro do quarto dela.
Mas a gente era muito sem noção. E, para encher o saco, invadimos o quarto dela. E tiramos uma foto surpresa:
Olha só, até chamamos para que ela tirasse mais fotos com a gente. Mas não sei porque – penso de verdade que ela devia odiar a gente – ela não quis.
Temos uma característica muito particular: somos um grupo de amigos. E por isso, um amigo trás outro amigo, aí um irmão, um primo, algum conhecido... e com isso, além de ser amiga do irmão dela, acabei me tornando também amiga dela - eu não sei dizer exatamente quando, ou como. Mas sei que não foi nesse ano. Acho que foi até depois que eu comecei a faculdade, mas continuávamos nos encontrando em festas, encontros, bagunças.
Essas fotos foram tiradas em 2001. Fazem, portanto, 10 anos. E aconteceram milhares de coisas nesse meio tempo.
O fato é que a irmã do meu amigo se tornou uma das minhas melhores amigas.
A Angélica – ou Gê – é uma pessoa incrível. Divertida, dedicada, companheira. Com um otimismo empolgante. Séria quando necessária. Disponível para os amigos sempre que eles precisam. E isso fez com que, pouco mais de cinco anos depois, já estávamos em uma mesma foto:

E olha só: em tão pouco tempo (a foto é de cinco anos, mas bem antes já éramos amigas) nos tornamos muito amigas. Tanto que nesse dia ela me viu em cima do balcão do Pele Vermelha - essa foto é da boate da minha formatura. E nem foi o dia que ela me viu de porre. E, no dia seguinte, estava ela no meu baile de formatura, compartilhando comigo um momento de muita alegria
Já tínhamos melhorado bastante nesse meio tempo, não?!)
Mas de lá pra cá, já fizemos muita coisa. Já tomamos porres juntas. Já discutimos romances. Já reclamamos da vida, já choramos, já sorrimos. Fomos a shows, festas e também a outros lugares nada agradáveis. Compartilhamos medos e angustias, sugerimos filmes, influenciamos nas decisões mais sérias e nas mais corriqueiras.
Até que um dia ela resolveu ir embora.
Sim, essa frase foi muito trágica e um tanto exagerada. Mas tem um porquê: eu e todos os amigos dela ficaram divididos com essa decisão. Porque se por um lado ficamos mega felizes por saber o quão importante era isso, o quão incrível seria essa experiência, tanto pessoal quanto profissionalmente, por outro nos sentimos um pouco abandonados. Aí, fizemos uma festa para dizer isso pra ela: que nós a amávamos tanto que até faríamos de conta que não nos importaríamos tanto com a ausência dela. E a menina que naquele dia ficou a tarde inteira trancada dentro do quarto ganhou o mundo.
Aí ela tirava fotos e a gente ficava só olhando.


E a gente tirando fotos por aqui...
Até que se passaram dois anos.
E olha só: não foram dois anos separados. Porque nesse meio tempo a distância foi diminuída pelo MSN, a saudade enfeitada com as conversas pela cam, a presença vivenciada através das páginas de relacionamento. Porque vimos os momentos felizes e divertidos das fotos, conversamos sobre os momentos difíceis. Dávamos – e recebíamos – colo por MSN [descobrimos que isso é possível, e até mesmo necessário...].
Assim, apesar de tanto tempo longe ficamos tão próximas quanto sempre. Contávamos a vida, os amores, os porres, as coisas que conheciamos, o que conquistávamos, o que nos irritava. Nossos medos e esperanças. Vivemos juntas, também.
Mas a gente sabe que isso não é exatamente como a presença. Porque falta o abraço de verdade, o toque. O sorriso sem mediação, com nitidez. Aquela coisa de pegar o telefone e marcar um encontro, nem que seja para uma daquelas bagunças sem noção, pra sentar e ficar conversando sobre tudo e sobre nada.
Eu mudei nesse meio tempo. Ela mudou, provavelmente muito mais do que todo mundo que ficou aqui. Mas tenho certeza que a gente não vai retomar a amizade, porque ela nunca foi interrompida: nós vamos nos conhecer novamente, continuar uma nova etapa na nossa amizade. E logo perceberemos que não mudamos tanto assim, principalmente porque nossa relação não mudou.
E com isso vamos ter mais do que outras fotos juntas: ter momentos, que é o que realmente importa. Por isso, já faz dias que eu penso: chega logo, dia 05 de Maio. Chega logo porque a saudade já chegou no limite e a falta parece que ficou mais pesada nos últimos dias do que em todo o tempo anterior.
Gê, te amo estamos todos esperando e loucos de vontade de aquietar um pouco essa saudade!!!!!
P.S.: Não briga comigo pela primeira foto, eu me sacaneie antes...rs
sexta-feira, 15 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
Pensamentos Aleatórios
Acontece que a cada esquina que você dobra você encontra um novo mundo. É tudo muito diferente! Há muito a se descobrir em cada quadra, há tanto a ver, a dizer, a fazer...às vezes queremos continuar lá por mais tempo, mas é preciso continuar a caminhada, mudar de quadra. Às vezes, dobrar a esquina.
Mas, como eu disse, somos turistas perdidos. Às vezes viramos tantas vezes de quadra, dobramos uma esquina jurando que nunca mais olharemos para trás... e damos voltas e voltas e voltas e caímos lá, de novo. Mas então olhamos com calma e vemos que aquele lugar já mudou, ou que nós já mudamos. Normalmente os dois.
E o melhor é que nesse caminho não estamos sozinhos. Algumas pessoas estão conosco o tempo todo; talvez não caminhando lado a lado, mas na rua oposta, à distância da visão; outras vão ficando pelo caminho, vão para ruas mais distantes, andam mais rápido ou mais devagar que a gente, resolvem dobrar esquinas contrárias. Encontramos outras pessoas que passam a andar conosco, que mudam nossa forma de andar, que nos fazem querer ficar mais tempo naquele caminho. Ou que nos fazem querer chegar logo a próxima esquina.
Mas o mais surpreendente é que entre essas pessoas que você deixou pra trás em uma esquina qualquer, algumas vão reaparecer lá na frente. É maravilhoso reencontrar pessoas quando a gente inicia uma quadra que vai ser difícil. É mais fácil fazer parte de uma quadra totalmente estranha, mas com antigos companheiros de caminhada. E quando reencontramos alguém em uma esquina qualquer da vida é incrível como nos sentimos mais fortes para continuar a caminhada junto de verdade, olhando no olho, abraçando e rindo e ouvindo a risada e sentindo o abraço. E, principalmente, descobrindo novos caminhos.
Por isso, cada vez que dou um passo em uma nova direção, cada vez que eu vejo que uma nova esquina está chegando, eu olho em volta e penso em tudo o que vivi naquele caminho. E então eu me despeço das pessoas com quem caminhei naquela quadra com um pensamento, quase um desejo: ainda vamos nos encontrar em alguma esquina.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Um dia desses, num desses encontros casuais
quinta-feira, 31 de março de 2011
Procura-se alguém que goste de Jazz
Não é necessário entender Jazz, apenas gostar. Não precisa ouvir uma musica e identificar estilo, autor, tendência ou o que. Eu não sei tanto e não exijo isso, de forma alguma. Não é necessário sequer ter um jazzeiro preferido, é preciso apenas que escute de vez em quando, que vá a um bar que toque e que não ache isso chato. Que possa achar divertido passar um tempo comigo ouvindo uma musica num café, que comentemos um livro, que troquemos comentários e sugestões. O jazz é indispensável porque tenho um gosto de velha e preciso sentir que sou normal e que isso é desejável. Pede-se também que goste de musicas de Chico Buarque pelo mesmo motivo.
Aliás, com Chico Buarque eu tenho uma relação que deve ser compreendida. Quando eu cantarolo “João e Maria” é porque estou triste, “Morena de Angola” é nos meus melhores dias, “Cotidiano” é sinal de tédio. As outras talvez não tenham nenhuma associação direta com meu humor, mas estas é preciso levar em conta. Sempre. A inteligência é mais que bem-vinda. Mas pede-se que não seja uma inteligência acadêmica, que deseja explicar tudo a todos em qualquer momento; mas uma inteligência sagaz que percebe e deixa transparecer isso pelo olhar.
Ah é preciso saber olhar, muito bem. Não se engane pensando que se nasce sabendo olhar: é preciso aprender. E procura-se aquele que aprendeu a olhar de um jeito que me faça sentir notada. Desejada também é aceitável, mas antes disso tem que ser notada, sentir que apesar de ter mulheres mais bonitas e perfeitas que eu, é pra mim que se escolha olhar. É preciso ter um brilho no olhar quando me vê. É preciso que, de vez em quando, eu perceba que este olhar está me procurando, quando eu estou longe. Mas não pra me controlar, portanto quando meus olhos cruzarem com este olhar que me busque troquemos sorrisos e voltemos às nossas ocupações. Voltemos, entretanto, com a certeza de ter alguém.
Também é preciso que saiba ler meus olhares e perceber quando estou pedindo colo ou querendo bater. E para isso é preciso perceber além dos meus sorrisos. É necessário que tenha um abraço protetor, daqueles que nos fazem esquecer todos os problemas, na verdade, todo o mundo lá fora. É preciso secar minhas lagrimas, sem insistir quando eu não quiser dizer nada. E entender que meus sorrisos e minhas risadas muitas vezes estão juntas - mas isso não significa que não esteja realmente sofrendo. Meus sorrisos às vezes são minha proteção, por isso é preciso ir além deles.
Pede-se que tenha um toque delicado, mas seguro. Segurança é necessária para que eu possa sentir-me como num porto amigo quando estiver no meio de uma tempestade. E delicadeza indispensável para que eu não me sinta como apenas um objeto. Esta segurança também é necessária para entender que eu gosto de pagar minhas contas, que eu sei trocar lâmpadas e mato baratas com um pouco de nojo, mas sem escândalos. E preciso ter alguém que entenda que estou com ele não para isso, mas porque gosto da companhia, me sinto bem com a presença. É necessária a segurança para entender isso: que não estamos juntos porque eu preciso, mas porque eu quero.
É preciso sorrir. Não precisa ser sempre ou pra tudo, mas ao menos de vez em quando é necessário. Pode ser só pra mim, mas se for ele tem que ser o sorriso mais intenso do mundo. Bom-humor é apenas desejável, mas mau-humor crônico, rabugice e cara feia desclassificam. Não é preciso ter dinheiro, me levar a lugares caros ou me dar presentes. Não é preciso colar em mim nem me contar todos os passos. É incentivado a ter uma vida independente da minha, com seus amigos e seus programas, aos quais eu só comparecerei em ocasiões especiais. Assim como terei meus amigos e meus programas: não seremos grudados, cada um terá seu próprio Orkut, não teremos a senha dos e-mails, não espionaremos os celulares. Construiremos uma relação que tenha confiança, embora algumas demonstrações de ciúme podem ocorrer, de ambas as partes. Demonstrações, não cenas deploráveis.
É preciso entender que eu gosto de poesia e de vez em quando é aconselhável que me escreva alguma em um pedaço de papel, ou me mande por e-mail. E que por mais que eu diga o contrário eu sou uma romântica inveterada que gosta de flor (que pode ser tirada de uma arvore e entregue na hora), de declarações de amor e de carinho, de surpresas. Outra necessidade é a paciência e a compreensão. É preciso compreender que eu tenho certo receio de relacionamentos então é preciso insistir, ir à fundo, porque as vezes fujo do que mais desejo. Por isso é preciso não desistir quando eu parecer ausente: na verdade é quando eu vou estar mais atenta, esperando. É preciso, por isso, ouvir meus medos absurdos e pode até discordar, achá-los idiotas ou sem sentido nenhum, mas em hipótese alguma pode-se dizer “não chore” ou “deixe isso pra lá”. Mas o silêncio, quando acompanhado de um abraço confortante daqueles que disse acima, pode ser recompensado. Fazer com que eu me sinta protegida, em qualquer situação, será recompensado.
Na verdade, tudo é negociável. Algumas coisas eu posso ensinar, outras eu posso aprender. Até desisto de algumas delas e elas não são únicas, são bem vindas diferentes características, gostos, vontades. Mas o Jazz... é indispensável gostar.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
De que é feita a vida?
De momentos, desejos, compromissos, dúvidas, poesia, música, sonhos, decepções. É feita de amigos e pessoas que não gostamos, de inimigos confessos e ocultos, de admiradores e admirados. É feita de mágoa. De alegria. De projetos concretizados, de projetos esquecidos pelo caminho, de projetos que temos que abandonar temporária ou definitivamente. É feita de silêncios – os solitários e os necessários. É feita de nostalgia e de esperança. De sabores, cheiros, toques, sensações. De bons livros. De péssimos livros, mas que devem ser lidos. De responsabilidades. De trabalho. De obrigações. De lágrimas e gargalhadas. De solidão. De amizade. De companheirismo. É feita de festas e lutos, de fotos e filmes, de lembranças, de medos, de sonhos. De lutas. De vitórias e derrotas. De espera. De tempo perdido. De lindos dias claros e tristes. De dias chuvosos cheios de raios, trovões e alegrias. De flores, borboletas, perfumes, delicadeza. De gritos, brigas, brutalidade. De brilho. De escuridão. De perdas e ganhos. De escolhas – escolhas nossas e escolhas dos outros que interferem na nossa vida. De confusões. De tédios.
A vida é feita de contradições.
A vida é feita de fragmentos.

