Palavras, frases, fotos, textos. Fragmentos colhidos, esculpidos e traduzidos em uma coisa nova. Pode ser poesia, pode ser crônica, pode ser conto. Pode ser real ou imaginado. Pode não ser nada. De qualquer forma, é só mais um fragmento...
sexta-feira, 15 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
Pensamentos Aleatórios
Acontece que a cada esquina que você dobra você encontra um novo mundo. É tudo muito diferente! Há muito a se descobrir em cada quadra, há tanto a ver, a dizer, a fazer...às vezes queremos continuar lá por mais tempo, mas é preciso continuar a caminhada, mudar de quadra. Às vezes, dobrar a esquina.
Mas, como eu disse, somos turistas perdidos. Às vezes viramos tantas vezes de quadra, dobramos uma esquina jurando que nunca mais olharemos para trás... e damos voltas e voltas e voltas e caímos lá, de novo. Mas então olhamos com calma e vemos que aquele lugar já mudou, ou que nós já mudamos. Normalmente os dois.
E o melhor é que nesse caminho não estamos sozinhos. Algumas pessoas estão conosco o tempo todo; talvez não caminhando lado a lado, mas na rua oposta, à distância da visão; outras vão ficando pelo caminho, vão para ruas mais distantes, andam mais rápido ou mais devagar que a gente, resolvem dobrar esquinas contrárias. Encontramos outras pessoas que passam a andar conosco, que mudam nossa forma de andar, que nos fazem querer ficar mais tempo naquele caminho. Ou que nos fazem querer chegar logo a próxima esquina.
Mas o mais surpreendente é que entre essas pessoas que você deixou pra trás em uma esquina qualquer, algumas vão reaparecer lá na frente. É maravilhoso reencontrar pessoas quando a gente inicia uma quadra que vai ser difícil. É mais fácil fazer parte de uma quadra totalmente estranha, mas com antigos companheiros de caminhada. E quando reencontramos alguém em uma esquina qualquer da vida é incrível como nos sentimos mais fortes para continuar a caminhada junto de verdade, olhando no olho, abraçando e rindo e ouvindo a risada e sentindo o abraço. E, principalmente, descobrindo novos caminhos.
Por isso, cada vez que dou um passo em uma nova direção, cada vez que eu vejo que uma nova esquina está chegando, eu olho em volta e penso em tudo o que vivi naquele caminho. E então eu me despeço das pessoas com quem caminhei naquela quadra com um pensamento, quase um desejo: ainda vamos nos encontrar em alguma esquina.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Um dia desses, num desses encontros casuais
quinta-feira, 31 de março de 2011
Procura-se alguém que goste de Jazz
Não é necessário entender Jazz, apenas gostar. Não precisa ouvir uma musica e identificar estilo, autor, tendência ou o que. Eu não sei tanto e não exijo isso, de forma alguma. Não é necessário sequer ter um jazzeiro preferido, é preciso apenas que escute de vez em quando, que vá a um bar que toque e que não ache isso chato. Que possa achar divertido passar um tempo comigo ouvindo uma musica num café, que comentemos um livro, que troquemos comentários e sugestões. O jazz é indispensável porque tenho um gosto de velha e preciso sentir que sou normal e que isso é desejável. Pede-se também que goste de musicas de Chico Buarque pelo mesmo motivo.
Aliás, com Chico Buarque eu tenho uma relação que deve ser compreendida. Quando eu cantarolo “João e Maria” é porque estou triste, “Morena de Angola” é nos meus melhores dias, “Cotidiano” é sinal de tédio. As outras talvez não tenham nenhuma associação direta com meu humor, mas estas é preciso levar em conta. Sempre. A inteligência é mais que bem-vinda. Mas pede-se que não seja uma inteligência acadêmica, que deseja explicar tudo a todos em qualquer momento; mas uma inteligência sagaz que percebe e deixa transparecer isso pelo olhar.
Ah é preciso saber olhar, muito bem. Não se engane pensando que se nasce sabendo olhar: é preciso aprender. E procura-se aquele que aprendeu a olhar de um jeito que me faça sentir notada. Desejada também é aceitável, mas antes disso tem que ser notada, sentir que apesar de ter mulheres mais bonitas e perfeitas que eu, é pra mim que se escolha olhar. É preciso ter um brilho no olhar quando me vê. É preciso que, de vez em quando, eu perceba que este olhar está me procurando, quando eu estou longe. Mas não pra me controlar, portanto quando meus olhos cruzarem com este olhar que me busque troquemos sorrisos e voltemos às nossas ocupações. Voltemos, entretanto, com a certeza de ter alguém.
Também é preciso que saiba ler meus olhares e perceber quando estou pedindo colo ou querendo bater. E para isso é preciso perceber além dos meus sorrisos. É necessário que tenha um abraço protetor, daqueles que nos fazem esquecer todos os problemas, na verdade, todo o mundo lá fora. É preciso secar minhas lagrimas, sem insistir quando eu não quiser dizer nada. E entender que meus sorrisos e minhas risadas muitas vezes estão juntas - mas isso não significa que não esteja realmente sofrendo. Meus sorrisos às vezes são minha proteção, por isso é preciso ir além deles.
Pede-se que tenha um toque delicado, mas seguro. Segurança é necessária para que eu possa sentir-me como num porto amigo quando estiver no meio de uma tempestade. E delicadeza indispensável para que eu não me sinta como apenas um objeto. Esta segurança também é necessária para entender que eu gosto de pagar minhas contas, que eu sei trocar lâmpadas e mato baratas com um pouco de nojo, mas sem escândalos. E preciso ter alguém que entenda que estou com ele não para isso, mas porque gosto da companhia, me sinto bem com a presença. É necessária a segurança para entender isso: que não estamos juntos porque eu preciso, mas porque eu quero.
É preciso sorrir. Não precisa ser sempre ou pra tudo, mas ao menos de vez em quando é necessário. Pode ser só pra mim, mas se for ele tem que ser o sorriso mais intenso do mundo. Bom-humor é apenas desejável, mas mau-humor crônico, rabugice e cara feia desclassificam. Não é preciso ter dinheiro, me levar a lugares caros ou me dar presentes. Não é preciso colar em mim nem me contar todos os passos. É incentivado a ter uma vida independente da minha, com seus amigos e seus programas, aos quais eu só comparecerei em ocasiões especiais. Assim como terei meus amigos e meus programas: não seremos grudados, cada um terá seu próprio Orkut, não teremos a senha dos e-mails, não espionaremos os celulares. Construiremos uma relação que tenha confiança, embora algumas demonstrações de ciúme podem ocorrer, de ambas as partes. Demonstrações, não cenas deploráveis.
É preciso entender que eu gosto de poesia e de vez em quando é aconselhável que me escreva alguma em um pedaço de papel, ou me mande por e-mail. E que por mais que eu diga o contrário eu sou uma romântica inveterada que gosta de flor (que pode ser tirada de uma arvore e entregue na hora), de declarações de amor e de carinho, de surpresas. Outra necessidade é a paciência e a compreensão. É preciso compreender que eu tenho certo receio de relacionamentos então é preciso insistir, ir à fundo, porque as vezes fujo do que mais desejo. Por isso é preciso não desistir quando eu parecer ausente: na verdade é quando eu vou estar mais atenta, esperando. É preciso, por isso, ouvir meus medos absurdos e pode até discordar, achá-los idiotas ou sem sentido nenhum, mas em hipótese alguma pode-se dizer “não chore” ou “deixe isso pra lá”. Mas o silêncio, quando acompanhado de um abraço confortante daqueles que disse acima, pode ser recompensado. Fazer com que eu me sinta protegida, em qualquer situação, será recompensado.
Na verdade, tudo é negociável. Algumas coisas eu posso ensinar, outras eu posso aprender. Até desisto de algumas delas e elas não são únicas, são bem vindas diferentes características, gostos, vontades. Mas o Jazz... é indispensável gostar.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
De que é feita a vida?
De momentos, desejos, compromissos, dúvidas, poesia, música, sonhos, decepções. É feita de amigos e pessoas que não gostamos, de inimigos confessos e ocultos, de admiradores e admirados. É feita de mágoa. De alegria. De projetos concretizados, de projetos esquecidos pelo caminho, de projetos que temos que abandonar temporária ou definitivamente. É feita de silêncios – os solitários e os necessários. É feita de nostalgia e de esperança. De sabores, cheiros, toques, sensações. De bons livros. De péssimos livros, mas que devem ser lidos. De responsabilidades. De trabalho. De obrigações. De lágrimas e gargalhadas. De solidão. De amizade. De companheirismo. É feita de festas e lutos, de fotos e filmes, de lembranças, de medos, de sonhos. De lutas. De vitórias e derrotas. De espera. De tempo perdido. De lindos dias claros e tristes. De dias chuvosos cheios de raios, trovões e alegrias. De flores, borboletas, perfumes, delicadeza. De gritos, brigas, brutalidade. De brilho. De escuridão. De perdas e ganhos. De escolhas – escolhas nossas e escolhas dos outros que interferem na nossa vida. De confusões. De tédios.
A vida é feita de contradições.
A vida é feita de fragmentos.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Aprendi
Certa vez li que devíamos, todos os dias, pensar no que aprendemos de novo. Acho exagero, todos os dias. Mas, pensando nisso resolvi lembrar-me do que aprendi no ano que passou – ainda que ano com um certo atrasado, já que Janeiro já está acabando.
Engraçado como, ao sentar para escrever tudo o que aprendi neste ano que já se encerrou, tudo parece tão longe e dissipado. Não que eu não tenho aprendido nada; mas é que olhando para quem eu sou hoje eu vejo a concretização de dezenas de coisas que têm se delineado há tanto tempo, e outras que eu não reconheceria em nenhum olhar ao passado. Coisas que parece que surgiram em mim e me resolveram, serviram para cobrir as brechas que existem em mim. Coisas que ampliaram os meus limites.
Dando uma primeira olhada, rápida, tive a impressão que no ano que se encerrou aprendi apenas a esperar e esperar e a esperar. Mas foi mais que isso. Aprendi, sim, a esperar. Mas essa espera me ensinou também a fazer escolhas e tomar decisões. Essa espera me ensinou a, novamente, olhar dentro de mim e respeitar o que vejo, mesmo que não concorde.
E o que vi foi uma pessoa que amadureceu mas que ainda sofre e chora pelos mesmos motivos e que já há muito sabe que algumas dores são para sempre. Uma pessoa que aprendeu artimanhas para disfarçar a dor, e com isso aprendeu a cozinhar melhor do que em todos os anos anteriores.
Aprendi como é não estar rodeado por pessoas que já conhecem o seu trabalho e sabem do que você é capaz. Isso faz com que os caminhos sejam mais difíceis, mais tortuosos e repletos de nãos. Mas também aprendi que isso faz com que fique mais claro em nossa mente o que queremos.
Aprendi que não é fácil ir em busca dos sonhos, principalmente quando não se acredita muito neles. Mas que, quando a gente começa a acreditar é preciso bater o pé e até arrumar algumas confusões pra manter-se em busca dele. E que às vezes é preciso abrir mão de certas coisas e fazer escolhas difíceis, principalmente quando se está mais acostumado a viver o presente do que sonhar com o futuro.
Aprendi a sonhar com o futuro sem deixar de viver o presente.
Aprendi que fazer planos é um belo de um passatempo e muitas vezes não passa disso. Mas que é necessário fazê-lo, desde que se tenha em mente que não são círculos fechados e sem possibilidade de alteração. É preciso fazer projetos, e é preciso ser suficientemente corajoso para abrir mão deles e estar disposto a alterá-los.
Aprendi muito com a indecisão alheia, de como é preciso respeitar não só os próprios limites, mas também os dos outros. Aprendi que quando a gente menos espera as coisas surpreendem-nos. Para o bem e para o mal. E que, na verdade, é preciso estar distraído e esperando absolutamente nada. Porque quando eu esperava convites, vieram silêncios. Quando eu esperava silêncio, vieram palavras. Quando eu esperava um sim, veio um não. Quando eu esperava respostas, vieram perguntas. Quando eu tinha certeza, construíram-se dúvidas. E quando eu não esperava nada, vieram frases, explicações, propostas, elogios, diversão.
Aprendi que às vezes é preciso seguir os próprios conselhos. E nunca o ‘faça o que eu digo, não o que eu faço’ fez tanto sentido.
Aprendi que às vezes é preciso silenciar, mesmo quando queremos anunciar aos quatro ventos o que enche o nosso coração.
Aprendi que às vezes é preciso seguir o nosso coração mesmo quando a razão – e todo mundo que esta em volta – diz o contrário. Aprendi que isso não é fácil. Aprendi que isso dói, mas que a dor as vezes é melhor que a dúvida.
Aprendi a perdoar.
Aprendi a não esperar que os outros sejam o que a gente quer que eles sejam.
Aprendi que não se pode controlar o que se sente. E aprendi muito sobre mim, sobre meus sentimentos. Percebi que de vez em quando achamos que um sentimento está enterrado, mas então nos percebemos caindo nas mesmas armadilhas preparadas por nós mesmos.
Aprendi que é preciso se deixar pegar pelas armadilhas. Mas que não podemos nos aprisionar permanentemente nelas.
Aprendi que amizades são muito mais importantes do que qualquer coisa. E que algumas são eternas, mesmo com a distância, mesmo com a ausência, mesmo com as diferenças.
Aprendi que esquecer problemas não os resolve; mas os aumenta.
Aprendi a tomar banho de chuva como uma forma de voltar à infância perdida e nesse banho encontrar um silêncio confortante, quase um vazio.
Aprendi que ser responsável por outras pessoas não significa que você tem que deixar de se responsabilizar por si mesmo. E que é difícil, mas necessário, equilibrar as duas coisas.
Aprendi a viver com saudade. Com muita saudade. E a me deixar quieta, em silencio, sofrendo, sempre que necessário. E depois levantar. E continuar.
Aprendi que não sou mais criança, mas que ainda me comporto como tal. E que é preciso mudar e assumir minha vida, e não ficar tentando e esperando que os outros o façam por mim.
Aprendi que tenho o direito de ser feliz. E nos últimos dias me vejo me reacostumando a isso e ainda me soa um pouco estranho, dizer assim, que apesar de tudo eu sou feliz. Mas é em busca desta felicidade que darei meus próximos passos.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Santa Sofia de La Piedad.
Santa Sofia era, pela descrição de Gabo, feia. Comum, no mínimo. Ela poucas vezes é citada no livro, a maior parte delas acompanhada pela ressalva de que ela não existia por completo, a menos quando era necessário.
Às vezes tenho inveja desta descrição. Mais que isso, de ser assim.
Porque eu me dôo por inteira, em tudo. Não sei me envolver pela metade, amar sem ser por inteiro, viver sem paixão, fazer qualquer coisa simplesmente por fazer. Existo com intensidade. Adoro isso em mim, mesmo. Mas às vezes...cansa.
Porque quando eu estou muito feliz, acho maravilhoso ficar cantando gritando dentro do carro, e dançar feito louca sozinha no meu quarto, e fazer caretas, e conversar, e abraçar, e fazer outras coisas que, aos olhos de grande parte das pessoas, pareceria, na melhor das hipóteses, loucura.
Eu tenho vontade de ser Santa Sofia em momentos como eu estou vivendo agora. De espera. Quando não se tem o que fazer e até os sentimentos vão ficando escassos, e a intensidade vai se esvaindo. E eu tento, tenho momentos que coloco uma música alta, procuro nas minhas lembranças motivos pra ter intensidade, e tenho até alguns poucos instantes... mas a maior parte do tempo é um tédio, uma angustia, um nada. Eu sei, que daqui a pouco as coisas vão se ajeitar. Eu logo vou voltar àquela correria, que eu tanto amo. Mas até chegar lá... tenho que esperar. E aí que me vem à cabeça a Santa Sofia. Porque nesses momentos...me dá vontade de não existir, de pular essa fase e chegar logo onde as coisas realmente acontecem!
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Palavras
2010. Planos. Trabalho. Dissertação. Festa. Amigos. Surpresas. Tédio. Dissertação. Saudades. Paixonites. Ilusões. Presentes. Alta. Medos. Projetos feitos, projetos desfeitos, projetos refeitos. Dores. Raiva. Decepção. Amizades novas e amizades renovadas. Blog. Orientação. Dissertação, dissertação, dissertação. Frases de efeito. Copa. Beijos. Músicas. Poesia. Livros. Saudades. Dissertação. Cem anos de Solidão. Cozinhar. Conselhos. Melancolia. Tristeza. Alegria. Gargalhadas. Tatuagem. Márquez. Encontros. Desencontros. Casamentos. Festas. Porres. Vergonha. Decisão. Esperanças. Crises. Tombos. Neruda. Depósito. São Paulo. Perder-se. Museus. Bienal. Silêncio. Chuva. Solidão. Encontrar-se. Conversas. Coração disparado. Qualificação. Congresso. Apresentação. Discussões. Encontros. Envolvimento. Encantamento. Saudades. Dissertação. Francês. Longas conversas. Indiretas. Diretas. Timidez. Irmãos e primo. Diversão. Cozinhar. Cinema. Confusão. Emoções. Saudade. Promessas. Praia. Proposta. Campo Grande. Depósito. Nova Alvorada. Entrevista. Pergunta. Silêncio. Lágrimas. Saudade. Dor. Vinicius de Moraes. Desentendimento. Esquecer. Amigos. Recusa. Nova proposta. Teodoro Sampaio. Espera. Dúvidas. Nova recusa. Família incrível. Defesa. Elogios. Abraços. Porre. Comemoração. Luzes de Natal. Solicitação. Dúvida. Saudades diferentes. Amigos incríveis. Pergunta. Resposta. Surpresa. Encontro. Tédio. Sorrisos. Silêncios. Supermercado. Aeroporto. Notícias ruins. Surpreendentemente divertido. Fim.
2011. Esperança. Mudança. Começo.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Mafalda

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Presentes de Natal
Quero saúde, porque é necessário pro resto que vou pedir.
Quero um emprego. E entrar no doutorado. Na verdade quero um emprego para poder entrar no doutorado.
Quero uma paixão de tirar o fôlego. Com direito a borboletas no estomago, coração disparado, brilho no olho, mão gelada. E que seja correspondida, senão nem precisa trazer.
Caso a paixão não esteja disponível, também aceito paixonites, casos, aventuras, amores de estação e coisas do gênero.
Quero coragem.
Quero força. Quero paciência. Quero saber quando usar um ou outro.
Quero entender. As pessoas, principalmente.
Quero conseguir deixar no passado o que é do passado.
Quero reaprender a olhar pro futuro, sem deixar de viver o presente.
Quero muita música, poesia, bons livros.
Quero gargalhadas.
É...tá certo que não é uma lista pequena. Mas também não é lá uma lista tão grande assim! Então, Papai Noel, fazemos assim: vê a lista e me diz o que pode fazer. As outras coisas eu tento dar conta! =D
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Uma saudade diferente
No próximo domingo é aniversário da minha mãe. Ela faria 48 anos. Por isso já faz alguns dias que a saudade tem rondado, apertado um pouco mais forte. Como ontem no mercado com minha tia, em que tive que me segurar porque algumas lembranças insistiam em pousar no meu pensamento. Como logo que minha tia adoeceu, quando eu e minha mãe quase enlouquecíamos tentando entender o que ela queria, ou convencê-la de que aquilo não era necessário. Lembro que de vez em quando eu era a responsável porque minha mãe queria se esconder da tia, como que fugir dela por um tempo - dentro do supermercado. E eu tinha que dizer: “mãe, para com isso!” de uma forma meio rude e ela ria de um jeito que era impossível ficar inerte.
Mas foi uma saudade diferente que senti.
Porque minhas saudades, aquelas que se referem à minha mãe, são sempre muito doídas. A falta me remete sempre aos últimos meses, em especial aos últimos dias, à internação, aos sons e imagens e palavras daqueles últimos momentos e que tanto me marcaram.
Mas dessa vez não.
Dessa vez eu a vi em fotos que me trouxeram de volta os seus melhores momentos. Ou melhor, as minhas melhores lembranças. Em algumas ela estava com aquele sorriso que já tinha esquecido que ela tinha e quase consegui ouvir a gargalhada dela. Em outras, aquela mulher guerreira que eu tanto admirava, que eu tanto admiro. A amiga, a mãe, a mulher que lutava pelo que acreditava, as pequenas artes que ela sempre fazia, a forma com que ela tornava os problemas mais leves, o que ela me ensinou... tudo o que eu mais gosto nela eu revivi hoje, em fotos, em lembranças.Foi uma saudade diferente porque me fez rir de algumas lembranças e me alegrar de ter tido essa pessoa tão maravilhosa me ensinando a viver. E hoje até a os beliscões na costela me deram vontade de rir. É claro que a falta dói, e por isso também não consegui evitar de chorar um pouco, enquanto ria...maluquice que hoje me pareceu óbvia. A falta dói, mas hoje eu me lembrei da presença e, ainda que muito pouco, foi reconfortante. Foi impossível não rir. Foi impossível não chorar.
E hoje, com essa saudade um pouco mais colorida, penso como seria se eu encontrasse com ela. Ela estaria orgulhosa pelo mestrado. Ela me mataria pelas tatuagens. Eu mudei um pouco nos últimos anos, me tornei mais cética, menos otimista... como ela veria essas mudanças? Acho que ficaria um pouco preocupada, mas entenderia. Ela sempre se preocupava. Talvez ela se decepcionasse um pouco com algumas das minhas escolhas e minhas crenças, talvez mantivesse a paciência e pensasse que eu ainda vou acertar o meu caminho.
Algumas fotos estão espalhadas pela cama e eu as vejo com o coração cheio da saudade mais feliz que eu já tive. Não é uma saudade fácil. Essa também machuca muito. Mas chego a pensar que talvez ela esteja em algum lugar olhando por mim e que um dia ainda vamos nos abraçar novamente. A fé, ainda que por uns poucos instantes, renasce em mim com a força que tinha na minha infância e adolescência; aquela fé inocente, que acredita sem dúvidas nem questionamentos. E por hoje eu consigo lembrar dela sem nenhum dos fantasmas que sempre rondam os meus pensamentos.
E eu consigo pensar em como foi, em como é maravilhoso tê-la como mãe; que ainda na ausência é absolutamente presente na minha vida. E de como é incrível ser um pouco como ela.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Agridoce novembro.
Existem algumas frases que se tornam marcantes. Letras de música, poesias, crônicas, nomes de filmes, sempre existem frases que se tornam eternas. 'De repente, não mais que de repente'. 'Filhos, melhor não tê-los'. 'E agora, José?' 'Que seja eterno enquanto dure'. 'Doce Novembro'.
Sim, eu gosto desse filme meloso que você assiste sabendo que vai chorar. E acho perfeito o final, que um monte de gente não gosta porque acha que deveria ser mais feliz [o que é impossível, porque era tinha uma doença incurável em fase terminal e ainda que o filme termine antes ela ia morrer e de qualquer jeito eles não iam ficar juntos.] E essa é uma frase que marca todos os novembros desde que assisti este filme.
Não, esse ano não foi um doce novembro. Na verdade Novembro não costuma ser um mês fácil para mim. O feriado do começo do mês, os acontecimentos que encerraram o mês anterior, alguns dos acontecimentos também deste mês não me permitem dizer que foi um doce novembro. Mas não foi um Novembro ruim; eu terminei o mestrado, meu trabalho foi muito elogiado. Meus irmãos vieram pra cá, meu tio também. Minha tia, mesmo toda nervosa, foi me ver. Eu tive alguns momentos maravilhosos.
E, já que penso que a vida é feita dos momentos, eu não posso definir esse mês, nem nada, em uma palavra. Ao menos em uma tão simples como ‘doce’. Porque meu novembro foi doce, mas também foi amargo. Teve lágrimas e sorrisos, gargalhadas e esperanças desfeitas, planos suspensos e esperanças esperando dezembro para se delinearem. Um mês com saldo positivo; dentre mortos e feridos salvaram-se todos; foi, enfim, um novembro agridoce.
Então, que venha dezembro. Com seus anjos, suas promessas, os brilhos e as cores. Um dezembro cheio de momentos - e que o saldo também seja positivo!


